Tesouros esculpidos pelo mar: descubra as piscinas naturais do Arquipélago da Madeira

Porto das Salemas ©Rui Melim

A Madeira e o Porto Santo são dois paraísos insulares no meio do Atlântico. Ilhas distintas na sua paisagem e personalidade, complementam-se num roteiro único, oferecendo experiências memoráveis e possibilidades infinitas aos seus visitantes.

Entre terra e mar, a beleza inconfundível do arquipélago seduz todos os que o escolhem para férias: ora entre o verde exuberante da floresta, ora mergulhado no azul-turquesa de um mar de temperaturas amenas durante todo o ano.

©Andre Carvalho

Ir a banhos na Madeira e no Porto Santo é, de facto, uma experiência singular. O mar, omnipresente e acessível a partir de quase toda a costa, ganha um encanto especial com as suas formações de origem vulcânica, que criam piscinas naturais perfeitas para nadar, relaxar e desligar do mundo. Estas verdadeiras obras da natureza podem ser encontradas um pouco por toda a extensão do arquipélago. Apresentamos, em seguida, algumas das mais conhecidas piscinas naturais da Madeira que não vai querer perder este verão.

ILHA DA MADEIRA

Piscinas Naturais e Municipais do Porto Moniz ©Tiago Machado

Piscinas Naturais do Porto Moniz (Costa Norte)

As Piscinas Naturais do Porto Moniz são, há muito, o ex-libris deste município da costa norte da Madeira. Esculpidas pela natureza ao longo de milénios, através do arrefecimento da lava vulcânica, estas piscinas permitem a entrada constante de água do mar, criando um ambiente único onde se alia a beleza bruta da geologia ao prazer de um mergulho tranquilo. Com águas renovadas naturalmente e de qualidade excecional, são cada vez mais os visitantes que se rendem ao encanto do local – não só pela paisagem impressionante, mas também pelas condições de conforto oferecidas.

Piscinas Naturais e Municipais do Porto Moniz ©Tiago Machado

O complexo conta com uma ampla área de solário e uma zona de natação com 3800 m², com cerca de dois metros de profundidade. Há ainda uma piscina dedicada às crianças, parque infantil, balneários, bar de apoio, posto de primeiros socorros, estacionamento e acessos adaptados a pessoas com mobilidade reduzida. Para maior comodidade, é possível alugar espreguiçadeiras e chapéus de sol – e simplesmente aproveitar o momento. Tudo isto com um cenário de fundo deslumbrante: uma vista panorâmica sobre a costa rochosa e o Atlântico que dificilmente se esquece.

Poças do Cachalote, Porto Moniz ©Francisco Correia

Piscinas Naturais do Aquário  (Costa Norte)

À entrada da vila do Porto Moniz, as Piscinas Naturais do Aquário – também conhecidas como Poças do Cachalote – são um dos segredos mais pitorescos da costa norte da Madeira. Esculpidas por rochas vulcânicas e abertas ao mar, estas piscinas de acesso livre oferecem um cenário natural e autêntico, com águas límpidas e cristalinas.

Poças do Cachalote, Porto Moniz ©Francisco Correia.JPG

Apesar de não disporem de muitas infraestruturas, contam com duche exterior e vigilância durante a época balnear. Nas redondezas, vale a pena visitar o Aquário da Madeira, o Centro de Ciência Viva e, claro, as famosas Piscinas Naturais do Porto Moniz.

Piscinas Naturais do Seixal ©Henrique Seruca

Piscinas Naturais do Seixal (Costa Norte)

Na costa norte da Madeira, a freguesia do Seixal esconde tesouros naturais de grande beleza, como as Piscinas Naturais do Seixal, também conhecidas como Poças das Lesmas, situadas junto à Praia da Laje, apelidada por muitos de “Praia da Jamaica”. Formadas por rochas vulcânicas escuras que contrastam com o azul-turquesa do Atlântico, estas piscinas oferecem um cenário impressionante e cada vez mais procurado. Desde 2024, passaram a contar com vigilância e nadador-salvador, o que justifica agora o pagamento de entrada. O espaço dispõe ainda de balneários, duches e bar de apoio.

Piscinas Naturiais do Seixal ©Ricardo Faria Paulino

Apesar do ambiente tranquilo, é fundamental respeitar o mar: as condições podem mudar de forma repentina, e as ondas fortes representam risco. A atenção às zonas expostas é essencial para um banho em segurança. Nas redondezas, vale a pena explorar trilhos, miradouros, cascatas e a exuberância da floresta Laurissilva – um convite à descoberta da natureza autêntica da costa norte da ilha.

Doca do Cavacas ©Hugo Reis

Doca do Cavacas (Funchal)

Entre as várias piscinas naturais de origem vulcânica espalhadas pelo arquipélago da Madeira, a Doca do Cavacas é uma das mais especiais. Situada em pleno Funchal, entre o Lido e a Praia Formosa, este pequeno complexo balnear combina o encanto das poças vulcânicas com acesso direto ao mar.

Doca do Cavacas ©Andre Carvalho

Conhecida por muitos como “Poças do Gomes”, oferece não só banhos relaxantes em águas cristalinas, mas também uma vista privilegiada para o imponente Cabo Girão e para a Praia Formosa. Aberta todo o ano, a Doca do Cavacas está equipada com balneários, duches, casas de banho e bar de apoio – tudo para um dia de praia simples, bonito e memorável.

PORTO SANTO

Porto das Salemas ©Fábio Brito

Praia das Salemas

Só acessível a pé, a Praia das Salemas é um verdadeiro paraíso escondido na costa norte do Porto Santo. O seu encanto revela-se sobretudo na maré baixa, quando surgem inúmeras piscinas naturais de um azul-turquesa vibrante, enquadradas por formações rochosas impressionantes.

Este recanto selvagem situa-se no Porto das Salemas, junto à Fonte da Areia. O acesso faz-se por um trilho de terra batida até a um largo onde pode estacionar. A partir daí, inicia-se uma descida a pé por um caminho íngreme e com pedras soltas – o que exige algum cuidado, mas é largamente compensado pela paisagem que espera lá em baixo.

No local, encontrará alguns chapéus de palha, mesas de piquenique e lareiras rústicas. Ou então, simplesmente, uma rocha perfeita para estender a toalha e mergulhar nas águas límpidas das piscinas – algumas com fundo de areia.

Porto das Salemas ©Rui Melim

Descobrir as piscinas naturais da Madeira e do Porto Santo é entrar num mundo onde a natureza ainda dita as regras. São lugares que não pedem filtros nem legendas, apenas tempo para sentir o sal na pele, a frescura da água, a imponência das rochas e a tranquilidade que só o mar sabe oferecer. Cada poça, cada enseada escondida conta uma história moldada por séculos de lava e oceano. Seja num mergulho espontâneo ou num final de tarde a ver o sol cair sobre o Atlântico, o mais difícil é mesmo ir embora sem já estar a pensar em voltar.

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