Nápoles e Pompeia: o pulso da Eternidade

Nápoles não se explica, sente-se na vibração do ar e na luz que doura as cúpulas das suas centenas de igrejas, um brilho que parece emanar das próprias pedras vulcânicas que sustentam a cidade.

Texto: Sílvia Guimarães*

Galleria Umberto I

Nápoles é uma metrópole onde o traçado rigoroso das ruas cria um contraste magnético e quase vertiginoso entre o labirinto dos bairros espanhóis – com as suas roupas estendidas, rituais quotidianos e ruelas vibrantes – e a amplitude monumental da Piazza del Plebiscito. Caminhar por aqui é atravessar milénios em poucos passos, uma viagem cronológica que nos leva da elegância Belle Époque da Galleria Umberto I até ao silêncio salgado do Castel dell’Ovo. Ali, entre as muralhas de tufo, a lenda do ovo de Virgílio e o mar Tirreno fundem-se numa narrativa de proteção e mistério que ecoa sobre as águas azuis.

Cornicello

TALISMÃ DA CIDADE. A alma da cidade revela-se na sua profunda superstição e na obsessão pelo cornicello vermelho. Este pequeno amuleto em forma de corno, que se encontra em cada esquina dos bairros antigos, é o símbolo máximo da sorte napolitana. Seja em coral, cerâmica ou plástico, o cornicello deve ser rígido, pontiagudo e, acima de tudo, oferecido, para que possa proteger quem o carrega contra o mau-olhado.

Galeria Virgílio

A ARTE DO SAGRADO. Neste percurso entre o sagrado e o profano, descobrimos a maestria da Galeria Virgílio, um espaço dedicado à preservação da tradição secular dos presépios napolitanos. Especializada em figuras e cenários de grandes dimensões, a galeria é um testemunho da arte que transforma madeira, cortiça e terracota em microcosmos da vida quotidiana do século XVIII. Cada peça é trabalhada à mão com um detalhe minucioso, fazendo desta galeria um ponto de paragem obrigatório para quem deseja levar consigo uma parte da herança artística e da espiritualidade que define esta região italiana.

SOB O OLHAR DO VESÚVIO. A cidade vive sob o olhar atento do Vesúvio, um guardião de pedra que recorda a todos a efemeridade da vida, e sob a proteção mística de São Gennaro. O seu sangue é o barómetro da alma napolitana: resiliente, dramática, passional e profundamente viva. Esta densidade histórica não se limita ao que os olhos alcançam à superfície: estende-se ao subsolo, onde aquedutos romanos e cisternas gregas convivem com a modernidade artística da estação de metro Toledo. Esta estação, com os seus mosaicos que mimetizam a luz do oceano, prova que a beleza em Nápoles é um fenómeno vertical, uma escavação contínua que vai da superfície às profundezas da terra e da alma humana.

SABORES COM HISTÓRIA. À mesa, o luxo não reside no excesso, mas na pureza absoluta do ingrediente e no respeito pelo tempo. Seja no clássico Locanda del Cerriglio, onde as paredes parecem sussurrar as histórias de Caravaggio e a tradição se serve em cada prato de massa artesanal, ou no requinte marítimo do Cicciotto, em Marechiaro, a gastronomia é uma celebração da identidade local. Com o som das ondas a bater nas rochas e o aroma a manjericão fresco e marisco acabado de pescar, compreende-se que comer em Nápoles é um ato de comunhão com a terra e o Mediterrâneo.

Pompeia
Pompeia

ECO DE UM MUNDO SUSPENSO. À sombra do vulcão, Pompeia permanece como o mais fiel e inquietante espelho da vida romana. Não são apenas ruínas ou um museu a céu aberto: é um cenário congelado em 79 d.C., onde o mármore das moradias, os frescos da Vila dos Mistérios e as marcas das carruagens nas ruas pavimentadas narram uma rotina subitamente interrompida pela fúria da natureza. É o destino final para quem procura compreender a fragilidade da existência e a glória de uma civilização que o tempo não conseguiu apagar. Passear pelo seu fórum ao entardecer é sentir o peso da história e a ressonância de vozes que o Vesúvio silenciou, mas que a arqueologia resgatou para a imortalidade.

Eurostars Excelsior Nápoles

Luxo clássico

Para uma imersão total numa atmosfera de prestígio e contemplação, o Eurostars Excelsior Nápoles surge como a morada incontornável. Situado na icónica Via Partenope, debruçado sobre a marginal, o hotel personifica o luxo clássico e a hospitalidade italiana mais refinada. Os seus salões decorados com mármores e tecidos sumptuosos transportam-nos para uma era de grandiosidade. Acordar nos seus quartos amplos e ver o Castel dell’Ovo desenhado no horizonte, enquanto os primeiros barcos de pesca cruzam as águas calmas, é um dos pontos altos de uma viagem pensada para ficar gravada na memória.

* A jornalista viajou a convite do Grupo Hotusa e da Eurostars Hotel Company