Siga-nos nesta viagem pela Tailândia e pelo Vietname onde o verdadeiro luxo não é a opulência, mas o tempo – tempo para observar, sentir e compreender culturas moldadas pela espiritualidade, pela água e pela memória.
Texto: Silvia Guimarães *
A viagem começa em Banguecoque, mas não se impõe com a urgência das grandes metrópoles modernas. Aproxima-se com uma discrição quase cerimonial, como quem sabe, por sabedoria antiga, que não precisa de ser anunciada para ser sentida.
O calor, húmido e denso, envolve a cidade desde as primeiras horas da manhã, misturado com o aroma doce do jasmim e das flores de lótus deixadas nas oferendas diárias, e com o som baixo de uma cidade que nunca para por completo, mas que domina a arte de abrandar nos momentos certos. Aqui, o verdadeiro luxo não reside na opulência material, mas no tempo… no tempo que se leva a observar o detalhe de um telhado, a escutar o cântico de um monge, a permanecer simplesmente onde se está, sem a pressa do próximo destino.

O RIO DOS REIS. Capital da Tailândia (antigo Sião) desde o final do século XVIII, Banguecoque nasceu e cresceu à beira das águas castanhas do rio Chao Phraya, o “Rio dos Reis”. Durante séculos, foi ali que a vida aconteceu em toda a sua plenitude: o comércio de especiarias, a manifestação da fé, o movimento constante das barcaças.
Ainda hoje, observar a cidade a partir da água é a forma mais honesta e desarmada de a compreender. Os barcos avançam sem pressa, rasgando o espelho de água onde os templos se refletem com uma simetria perfeita. O silêncio instala-se onde menos se espera, entre o caos do trânsito e a serenidade das margens.
Ao longe, a silhueta imponente do Buda do Wat Pak Nam Phasi Charoen surge no horizonte, sereno e monumental, como se vigiasse a cidade e os seus habitantes.

PERCURSO DO SAGRADO. Num país que abriga mais de 40 mil templos, a espiritualidade não é um evento isolado, mas uma parte intrínseca do quotidiano tailandês.
O Grande Palácio Real revela-se nos detalhes minuciosos: no dourado preciso que reluz sob o sol tropical, no equilíbrio geométrico das suas formas e na solenidade contida que se sente ao caminhar pelos seus pátios.
Já no Wat Pho, o histórico berço da massagem tailandesa tradicional, o Buda Reclinado ocupa o espaço com uma naturalidade desconcertante. Os seus 46 metros de comprimento lembram-nos que o corpo e a mente fazem parte do mesmo equilíbrio frágil e que o descanso é, em si mesmo, uma forma de respeito pela vida e pela sua finitude.

REFÚGIOS DE LUXO. Entre visitas e pausas necessárias para processar tanta informação visual, a cidade oferece refúgios que respeitam este mesmo ritmo de introspeção. No histórico Hotel Montien Surawang, a elegância discreta convive com a memória viva de uma Banguecoque clássica, onde a hospitalidade é um ritual silencioso.
Já no Banyan Tree Bangkok Hotel, o silêncio que se encontra suspenso sobre a cidade, nos seus pisos elevados, cria uma sensação de afastamento raro, um isolamento do mundo mesmo estando no seu centro urbano. São espaços pensados para permitir ao viajante abrandar, para digerir as sensações do dia, e não apenas para impressionar com luxos superficiais ou modas passageiras.

MERCADOS E TRADIÇÕES. Fora dos muros dos templos, Banguecoque revela-se nos gestos simples e autênticos. O comércio flutuante mantém vivas as tradições antigas de trocas sobre a água. O Mercado do Comboio acontece num silêncio quase coreografado, uma dança de adaptação. O Mercado das Flores desperta a cidade ainda de madrugada, inundando as ruas de cores e perfumes, enquanto Chinatown — a vibrante Yaowarat — expõe uma energia crua, caótica e profundamente autêntica, um labirinto perfeito para ser descoberto de tuk tuk, sem destino definido e com a mente aberta ao inesperado.
Ao cair da noite, Banguecoque suaviza as suas arestas. Um cruzeiro discreto pelo Chao Phraya devolve-lhe uma elegância luminosa, sem excessos. O jantar acompanha o ritmo do rio, seguido de uma massagem tradicional. Silom oferece o ponto de equilíbrio ideal para terminar o dia: central, sofisticado, mas desprovido de ostentação desnecessária.

VIETNAME COMPLETO. A viagem continua para o Vietname e o tom muda drasticamente. Aqui, nada é imediato ou óbvio. O país não se entrega ao primeiro olhar: deixa-se compreender aos poucos, quase por camadas, através dos gestos lentos do quotidiano, do fumo azulado do incenso que sobe em espirais e da convivência constante entre o passado histórico e o presente vibrante.
É este ritmo que define programas turísticos como os que a Solférias, operador português, desenhado para quem procura conhecer este país de forma completa e equilibrada. Não se trata de acumular lugares, mas de construir um percurso coerente, onde cada cidade cumpre um papel na compreensão do país.
Num itinerário Vietname Completo, o percurso atravessa o território de norte a sul, começando geralmente em Hanói, seguindo para a Baía de Halong, descendo depois até Hué e Hoi An, antes de terminar no sul, entre Ho Chi Minh City e o delta do Mekong. É uma viagem que cruza espiritualidade, história imperial, memória política e vida rural, sempre com tempo para observar.

HOI AN É A CIDADE MAIS POÉTICA DO VIETNAME, um lugar feito de encontros e de luz. Durante séculos, foi um dos portos de comércio mais importantes do mundo, funcionando como ponto de contacto entre as culturas chinesa, japonesa e europeia. Essa convivência secular ainda se sente nas ruas tranquilas, nas fachadas amarelas e na forma como o tempo parece ter abrandado.
A Assembleia da Congregação de Phuc Kien testemunha a herança chinesa. A Casa Tan Ky, habitada pela mesma família há sete gerações, revela como arquitetura, comércio e vida privada sempre coexistiram. A Chua Cau, a ponte japonesa coberta, simboliza essa fusão cultural rara e harmoniosa.
Em Hoi An, o budismo não é apenas religião, é forma de estar. Tal como o confucionismo, influencia a ética, o respeito e a organização social. Ensina, sobretudo, a maneira de fazer: com atenção e intenção.
A estadia no Hotel Hoi An Ancient House permite viver a cidade a uma escala humana, integrada no tecido histórico.
HUÉ GUARDA UMA SOLENIDADE DIFERENTE. Antiga capital imperial entre 1802 e 1945, foi o centro político e simbólico do Vietname. Hoje, a Cidade Imperial permanece como espaço de memória. A Cidadela envolve o antigo Palácio da Suprema Harmonia, onde o imperador exercia o poder. O Mausoléu de Khai Dinh reflete uma época de transição, misturando influências orientais e ocidentais. A estadia no Hotel Indochina Palace acompanha essa leitura: contenção, espaço e silêncio.

NA BAÍA DE HALONG, o tempo parece abrandar de forma quase física. A bordo do Paradise Elegance, o percurso entre ilhotas calcárias cria uma sensação de suspensão do mundo exterior. As grutas revelam formações silenciosas, enquanto os miradouros recompensam cada passo da subida. Aqui, não se procuram apenas águas cristalinas: a beleza reside na paisagem, na escala e na tranquilidade absoluta que a névoa matinal proporciona sobre o convés.
Para quem deseja prolongar a viagem, a Solférias propõe também versões de Vietname com Ilhas, combinando o percurso cultural com alguns dias de descanso em ilhas tropicais, onde o ritmo abranda ainda mais. Não como contraste, mas como continuidade natural de uma viagem pensada para permanecer.

HANÓI COMBINA INTENSIDADE E INTROSPEÇÃO. O Pagode Tran Quoc, à beira do lago, é uma das mais antigas do país. O Templo Quan Thanh honra tradições antigas, enquanto o Pagode do Pilar Único simboliza simplicidade e pureza. O Mausoléu de Ho Chi Minh recorda a figura central da história moderna vietnamita. Nos mercados, o incenso mistura-se com o quotidiano das bancas de seda e especiarias.
A estadia no Hotel Le Jardin Haute Couture oferece um refúgio urbano discreto, alinhado com o caráter resiliente e artístico da cidade.

À mesa, pratos como o Bun Cha revelam uma cozinha direta, equilibrada e profundamente ligada à identidade local.
O Vietname não procura seduzir. Permanece. E é nessa permanência, entre incenso, água, memória e disciplina, que reside a sua verdadeira e inigualável sofisticação.
* A jornalista viajou a convite da Solférias e da Emirates.
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