*Por Sílvia Guimarães
A Bestravel iniciou o ano de 2026 com um desempenho encorajador, registando uma subida de 6% nas vendas em comparação com o período homólogo. Este crescimento surge após um 2025 de resultados históricos, marcado por uma reestruturação estratégica que visou otimizar a presença da marca no mercado. Durante a convenção realizada em Casablanca, Ricardo Teles, diretor de operações, clarificou a visão da empresa ao afirmar que estão “focados em tornar a rede cada vez mais consistente e homogénea”. Para o responsável, esta fase de consolidação é vital para o futuro da organização, sublinhando que o grande objetivo passa por “preparar hoje para amanhã sermos ainda mais fortes”, garantindo que a rede evolui de forma equilibrada.
Reorganização da rede e sustentabilidade do modelo
A reorganização da estrutura de franchising foi um dos pilares da gestão no último ano, resultando no ajuste do número de unidades para as atuais quarenta e três agências. Carlos Baptista, administrador da Gecontur, justificou estas movimentações — que incluíram fechos e transferências de lojas — como uma necessidade de alinhamento estratégico. O administrador explicou que, “quer seja através de transferências, encerramentos ou novas aberturas, tudo será feito no sentido de fortalecer a rede”, garantindo que todos os parceiros partilham “os mesmos valores e a mesma linha estratégica”. Ricardo Teles reforçou este ponto, notando que certas agências “não estavam a acompanhar aquilo que é o futuro da Bestravel”, o que motivou a decisão de reestruturar para assegurar a sustentabilidade a longo prazo.
Performance financeira e novos recordes de vendas
Em termos financeiros, a saúde do projeto foi confirmada por um aumento de 4% na faturação em 2025 e por recordes na produtividade de cada unidade. Nuno Almeida, diretor de rede, destacou a importância destes indicadores ao afirmar que “batemos o recorde de vendas por ponto de venda e isso mostra que o projeto é sólido”, apontando ainda para um crescimento sustentado no número de passageiros. Sobre a performance positiva deste início de 2026, o diretor de rede mantém uma postura cautelosa mas otimista, admitindo que “é difícil perceber se é só crescimento ou antecipação de vendas, mas acreditamos que é um pouco das duas coisas”, refletindo a dinâmica atual do setor turístico.
Desafios logísticos e o impacto na rentabilidade
Os desafios externos, particularmente as limitações do Aeroporto Humberto Delgado, também estiveram no centro da análise estratégica. Carlos Baptista referiu que “o estrangulamento do aeroporto de Lisboa está a fazer com que seja cada vez mais difícil colocar operações”, o que acaba por limitar o crescimento dos voos charter. Por outro lado, esta escassez de oferta acaba por proteger as margens de lucro, evitando o excesso de promoções agressivas que Ricardo Teles critica. O diretor de operações alertou que “estar sempre em campanhas de last minute acaba por esmagar margens para toda a gente”, defendendo em vez disso a aposta em serviços de valor acrescentado, como as viagens personalizadas.
Tecnologia e o futuro do atendimento ao cliente
Para o futuro, Carlos Baptista acredita que a união entre o fator humano e a inovação tecnológica é o caminho, concluindo que “as agências têm uma vantagem única na proximidade ao cliente, mas precisam de tecnologia para otimizar o serviço”. O investimento em CRM, inteligência artificial e cibersegurança surge como prioridade para manter a competitividade. A convenção encerrou com um apelo à consistência das equipas, com o administrador a recordar que “muitas vezes temos as condições para o sucesso, mas é preciso atitude e consistência todos os dias”, consolidando a visão de um grupo que encara 2026 com ambição e rigor.
*A jornalista viajou a Marrocos a convite da Bestravel




