Segunda-feira, Janeiro 21, 2019
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Economia

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O peso do Turismo na economia nacional tem aumentado de forma notável nos últimos anos. De acordo com a Conta Satélite do Turismo, divulgada esta manhã pelo INE, o Consumo do Turismo no território português atingiu, em 2017, a marca de 13,7% do Produto Interno Bruto, o que corresponde a 26,7 mil milhões de euros.

Este resultado evidencia um crescimento de 14,5% face a 2016, ano em que o consumo turístico em Portugal valia 12,5% do PIB. Desde 2014, aliás, o crescimento anual deste indicador foi de 0,3 pontos, pelo que o registo do ano passado (+1,2 pontos, quatro vezes mais) se torna ainda mais significativo.

O peso dos turistas estrangeiros no consumo turístico no território subiu de 61,2% em 2014 para 63,1% no ano passado.

Também o Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado pelo Turismo registou uma subida expressiva, passando de 6,9% em 2016 para 7,5% no ano passado.

Por outro lado, o emprego no Turismo também continua a crescer de forma sustentada, acompanhando o dinamismo desta atividade ao longo de todo o ano. De acordo com o INE, em 2016 o emprego no Turismo aumentou 4,8%, para um total de 417 mil vínculos a tempo completo, o que representou nesse ano 9,4% do emprego nacional. E em 2016, as remunerações do Turismo cresceram 7,6%, mais do que em 2015 (5,7%).

Portugal está entre os países europeus com maior peso do consumo turístico, com maior VAB do Turismo e com mais postos de trabalho no Turismo.

Para a Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, estes dados evidenciam “a  importância do Turismo na economia nacional. Nos últimos anos o Turismo tem evidenciado um forte crescimento, mas ao mesmo tempo um crescimento sustentável, aumentando mais em valor do que em volume de turistas e diminuindo o índice de sazonalidade, o que se tem refletido na criação de postos de trabalho e manutenção de emprego ao longo do ano. Tenho percorrido o país de Norte a Sul e tenho testemunhado como o dinamismo do Turismo também tem funcionado como mobilizador territorial. Estes resultados são muito bons mas não podemos baixar os braços; temos de continuar a trabalhar, com ainda mais motivação”.

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30,7 milhões de dormidas de estrangeiros (+10,5% face ao ano anterior), 9,1 milhões em hóspedes estrangeiros (+11,7%) e 9,7 mil milhões de euros (+9,5 %), são os números que reforçam a importância do turismo na economia nacional, destacando-se como um dos setores mais relevantes para o PIB.

Os dados divulgados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística e pelo BdP – Banco de Portugal confirmam a importância do setor na economia portuguesa. De acordo com os dados do último boletim estatístico do INE, até setembro de 2016, as dormidas de estrangeiros, em Portugal, situaram-se nos 30,7 milhões, lideradas pelo Reino Unido (com 7,4 milhões), logo seguido pela Alemanha (com 4,1 milhões). As dormidas dos portugueses ascenderam neste período a 12,4 milhões (+4.5 % que em 2015).

Já os dados do Banco de Portugal refletem a boa performance do turismo em Portugal, com as Receitas Turísticas a consolidarem-se nos 9,7 mil milhões de euros, representando um crescimento de 9,5%, face ao período homólogo de 2015.

Os números referentes ao verão foram assinaláveis e Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, refere que “comparando com o ano transato, verificamos que nos meses tipicamente de verão, entre julho e setembro, todas as variáveis cresceram:  mais 6,0% de dormidas (20,0 milhões), mais 6,6% de hóspedes (6,5 milhões) e mais 9,3% de receitas (4,7 mil milhões de euros)”.

O presidente do Turismo de Portugal reforça ainda que “todos os indicadores relevantes estão a crescer de forma substancial e de modo sustentado. Devemos, por isso, estar todos orgulhosos do nosso trabalho. E, quando digo todos, são mesmo todos: setor público, privado, regiões, delegações no estrangeiro, hoteleiros, agentes de viagens, animação turística e até as pessoas que, não estando de modo direto ligadas ao turismo, são responsáveis por alguma atividade que interage com os turistas. E chegámos aqui porque todos conseguimos criar uma consciência do turismo e trabalhar nos pontos essenciais: a captação de turistas, a qualidade da oferta melhorando e diversificando a experiência proporcionada e a fidelização. Em 2017 trabalharemos para que as empresas portuguesas se tornem ainda mais competitivas, sólidas e inovadoras; com o claro objetivo de induzir mais crescimento neste que é um setor tão importante para a economia portuguesa” conclui.

Entre janeiro e setembro, a procura foi impulsionada pelos mercados europeus consolidados – Reino Unido, Alemanha, Espanha e França. Até setembro de 2016 os cinco principais mercados para Portugal concentraram 60% do total de dormidas de estrangeiros. De destacar ainda o forte crescimento dos Estados Unidos, +154 mil dormidas, (+20,6% relativamente a 2015) demostrando o aumento da eficácia da mensagem comunicacional de Portugal e a forte aposta neste mercado.

Finalmente destacam-se os valores do Rendimento Médio por Quarto Disponível (RevPar) que evidenciam importantes taxas de crescimento no período Janeiro a Setembro. O crescimento a dois dígitos deste indicador (+12,7%) de forma superior ao crescimento do número de hóspedes (+ 9,2%) evidencia o excelente desempenho das empresas nacionais.

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O economista Daniel Bessa é um dos oradores confirmados para o 42º Congresso Nacional da APAVT, que vai decorrer de 8 a 11 de dezembro em Aveiro, no Centro de Portugal, subordinado ao tema «Turismo: Liberdade de Escolha e Fatores de Competitividade».
Licenciado e Doutorado em Economia, e ex-ministro da Economia no 13º Governo Constitucional, Daniel Bessa, atualmente presidente do Conselho Fiscal da Bial, Galp Energia e Sonae SGPS, intervirá no dia de abertura do congresso da APAVT, a 8 de dezembro, no auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro.
As inscrições estão abertas e a decorrer a bom ritmo, com o hotel-sede do congresso já a registar uma ocupação perto dos 100%.

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Conhecido pela sua forte interveniência opinativa dentro do Turismo em Portugal, Vítor Neto é das figuras que mais se destaca dentro do setor. Foi secretário de Estado do Turismo, no governo de António Guterres, durante cinco anos, e defende que o Turismo é um dos setores mais importantes de economia nacional, embora os governos não o reconheçam com coerência.

 

Viajar – Sendo o Turismo um setor estratégico dentro da economia nacional, considera que esta é uma área que está a ser tratada devidamente pelos diversos governos ou defende que está a ser colocada um pouco à margem?

Vítor Neto – O turismo, de há muitos anos a esta parte, que não tem vindo a ter o reconhecimento, o tratamento e o espaço político correspondentes à sua importância na economia portuguesa. Isto é algo que necessita de ser urgentemente resolvido. Os dados confirmam essa importância, mas depois, em geral, não têm na prática uma correspondência direta.

Quando ocupou o cargo de secretário de Estado do Turismo, entre 1997 e 2002, no governo de António Guterres, tentou de alguma forma combater este fato? E teve algum sucesso?

Já tivemos mais de 30 secretários de Estado do Turismo, dos quais apenas uns quatro ou cinco ocuparam o cargo mais de 20 anos. Houve quem tivesse passado pela secretaria de Estado apenas uns meses e logo por aqui se consegue perceber a sensibilidade existente em relação a este setor. Há quem defenda que o Turismo deveria de ter um ministério próprio, mas em nada os problemas do Turismo em Portugal têm a ver com o fato de haver um ministro ou um secretário de Estado. Tem sim a ver com a importância que o primeiro-ministro e o seu governo atribuem a este setor. Tudo se resume ao reconhecimento da importância real do ponto de vista estratégico deste setor para a economia e atribuir um espaço e uma atenção que lhe permita potenciar essas capacidades. Por outro lado, pode-se sempre optar por deixar esta atividade andar por aí, ao sabor da corrente, como tem acontecido muitas vezes.

Como é que o Turismo demonstra essa importância na economia?

No ano de 2015 o Turismo foi, uma vez mais, o maior setor exportador de Portugal. As exportações correspondentes a este setor aproximaram-se, no ano passado, dos 11,4 mil milhões de euros representando cerca de 15,6% do total das exportações de bens e serviços. As receitas externas geradas pelo Turismo, ou seja, o montante que os estrangeiros gastaram em Portugal, e que foi contabilizado pelo Banco de Portugal, tiveram assim um aumento de cerca de mil milhões de euros, em relação a 2014. Este crescimento traduz-se num valor maior do que muitos setores de que todos os dias se fala nas televisões.

Por outro lado, na Balança Comercial Portuguesa de bens e serviços, o setor dos bens tem um saldo negativo, o que leva a concluir que importamos mais do que exportamos, embora o saldo global desta Balança Comercial seja positivo graças ao setor dos serviços, e dentro deste graças ao Turismo, que permite cobrir a parte negativa do saldo dos bens. Este é um dado que não pode ser posto de lado e esquecido, pelo contrário, tem que ser afirmado todos os dias. O Turismo não só contribui para a Balança Comercial portuguesa de bens e serviços de uma forma positiva como se deve ao Turismo o facto de esta ser positiva.

Além disso o Turismo contribui, diretamente, indiretamente e de forma induzida, com cerca de 9 a 10% para o PIB.

Qualquer Governo, tendo em conta todos estes fatores, não faz favor nenhum ao reconhecer a importância deste setor para a economia nacional, assim como atribuir-lhe ainda mais força e maior capacidade para que este possa gerar ainda mais recursos.

Estes dados têm que ser valorizados para evidenciar-se a atividade, as empresas, os profissionais do setor e as Regiões de Turismo. Enquanto não conseguirmos valorizar isto, nunca existirá o reconhecimento político.

As Regiões de Turismo foram recentemente fazer-se ouvir nos diferentes partidos com assento parlamentar, através da Associação Nacional de Turismo, sobre a sua discordância com a possibilidade levantada, recentemente, pelo secretário de Estado da Administração Local, a uma rádio pública, de em 2017 estas entidades passarem a integrar as CCDR. Concorda com esta possibilidade?

Não conheço essa intenção. Mas causa-me reservas. A realidade do Turismo tem dois planos. O primeiro nacional e global que é essencial. Portugal tem que se afirmar globalmente como um País em que o Turismo tem expressão, força, política, estratégia, ação e rentabilidade. Já o segundo tem a ver com o facto das realidades regionais serem todas diferentes. Existem regiões, como o Algarve e a Madeira, em que o Turismo é a atividade económica principal; depois há regiões em que o Turismo tem um peso importante, embora não seja a atividade principal, como é o caso de Lisboa; há ainda aquelas regiões que já vão tendo alguma afirmação nesta área, como é o exemplo do Porto e do Norte de Portugal; e por último, as restantes regiões do País onde o Turismo tem uma dimensão menos elevada, mas ainda assim relevante, como o Centro, o Alentejo e os Açores.

É necessário termos para além de uma estratégia nacional, uma outra também regional que permita potenciar os produtos existentes, organizar ofertas coerentes e fazer uma promoção junto daqueles mercados considerados potenciais para cada região. Isso é diferente de região para região, o que leva à necessidade da existência de políticas regionais.

Temos que perceber que papel é que os governos reconhecem às funções das regiões. Considero tão importante termos uma política e estratégia nacional, como políticas e estratégias regionais coordenadas com o poder central e a nível nacional. Temos é que ver o papel que o governo reconhece às regiões para que estas possam desempenhar uma determinada função, que não seja apenas formal.

O turismo em Lisboa e no Porto tem vindo a crescer em larga escala. Considera que as cidades estão preparadas para este incremento tão alargado?

Temos diversas realidades no nosso País. Primeiro, o Algarve representa 38 a 40% das dormidas de estrangeiros em Portugal e 30% das dormidas de portugueses, o que quer dizer que é o maior destino turístico em Portugal, quer de estrangeiros como de turistas nacionais. Lisboa ocupa a segunda posição. Segue-se a Madeira, igualmente uma região fortíssima no produto de férias e lazer, tal como o Algarve. Só estas três regiões, Algarve, Madeira e Lisboa, representam mais de 80% das dormidas de estrangeiros em Portugal.

Este problema das cidades sempre existiu, mas neste momento apresenta uma nova faceta. Está em curso uma grande dinâmica e crescimento do chamado turismo urbano. E, ao contrário do que se pensa aqui em Portugal, esta não é uma moda portuguesa, mas sim mundial. Este facto deve-se à diminuição dos preços do transporte aéreo, à melhoria das condições de vida, ao aparecimento de novas propostas de alojamento e ao surgimento das novas tecnologias na intermediação turística. Lisboa e Porto estão a viver um pouco sobre estas influências.

Lisboa é um destino turístico com mais ofertas do que o Porto, apresentando um historial de turismo muito forte, ao passo que o Porto é um fenómeno mais recente. Lisboa representa cerca de 27% das dormidas de estrangeiros em Portugal, enquanto que o Porto representa menos de 10%.

Nenhuma cidade está preparada para uma explosão turística, podem é apresentar potencialidades para a enfrentar, inteligência para compreenderem as consequências que poderão advir deste grande incremento e atuarem. No entanto, considero que a euforia possa ser inimiga de uma visão serena, objetiva e programada destas questões, como já aconteceu, por exemplo, em Barcelona. Para que tal não aconteça têm que existir políticas.

A grande questão é: o que é que Portugal está a fazer para compreender isto e ajudar os seus empresários a movimentarem-se perante estas novas realidades? Esta é que é a questão central do Turismo neste campo.

Leia a entrevista completa na Edição de março (nº 347) da revista VIAJAR – Disponível online