O “Clássicos Magnólia” regressa a 25 e 26 de julho, com entrada livre para todos os que desejem conhecer a tradição automobilística da Madeira
Há um fim de semana por ano em que os jardins da Quinta Magnólia, no coração do Funchal, fazem uma viagem ao passado. Pinturas cromadas que resplandecem ao sol, motores que ronronam com a dignidade de quem atravessou décadas, figurantes vestidos a rigor numa reconstituição cuidadosa de outro tempo – é assim o “Clássicos na Magnólia”, um dos eventos mais singulares do calendário cultural da Madeira.

Uma quinta com memória
Para compreender a magia do evento, é preciso primeiro conhecer o palco. A Quinta Magnólia tem uma história quase bicentenária que, por si só, já justifica uma visita. Foi construída na primeira metade do século XIX pelo abastado comerciante e cônsul norte-americano J. Howard March, que ali quis criar um retiro fora do bulício do centro do Funchal. Em 1895 passou para as mãos de Herbert Watney, médico britânico, que alargou os seus limites e enriqueceu o jardim com uma vasta diversidade botânica, em parceria com um paisagista inglês. Nas décadas seguintes, entre 1931 e os anos 1970, a propriedade acolheu o famoso British Country Club.

Em 1980, a Região Autónoma da Madeira adquiriu a quinta, que abriu ao público em 1981. Hoje é um espaço verde de cerca de 35 000 m², onde convivem espécies botânicas de todo o mundo, piscinas, courts de ténis e um Centro Cultural dedicado à arte contemporânea, inaugurado em 2019 após uma requalificação profunda. É neste cenário de rara elegância que se realiza, ano após ano o “Clássicos na Magnólia”.

Do acaso à tradição
O evento tem uma origem algo inesperada. Em 2020, a Quinta Magnólia acolheu a exposição “Recomposição”, dedicada à obra do escultor madeirense Ricardo Veloza. O sucesso dessa iniciativa foi o estímulo para criar um evento recorrente que celebrasse simultaneamente o espaço, o património automóvel e a cultura da ilha. O “Clássicos na Magnólia” nasceu e tomou no calendário o último fim de semana de julho com a naturalidade de quem sempre pertenceu ali.

A fórmula é simples e eficaz: cada edição elege uma década do século XX como tema central, e em torno dela constroem-se universos sensoriais completos. Automóveis, motas e bicicletas da época escolhida chegam de toda a ilha – e não só – para encher os jardins de cor e de história. Os visitantes também são convidados a mergulhar nesse universo: figurantes vestidos à época circulam entre as máquinas, há tertúlias sobre automobilismo, áreas de automobilia onde se encontram peças únicas, e espaços de descontração e convívio.

Homenagem ao património vivo
O “Clássicos na Magnólia” não é apenas uma exposição de veículos. É, acima de tudo, uma homenagem pública a todos aqueles que dedicam tempo, paixão e recursos à preservação do automóvel clássico enquanto objeto cultural. São colecionadores, mecânicos especializados, famílias que guardam aquela viatura como se fosse uma relíquia – e que, neste evento, encontram o reconhecimento que raramente vem de outras paragens.

A Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura da Madeira apoia o evento, reconhecendo o seu valor como produto turístico diferenciador. Numa ilha que já se habituou a receber visitantes em busca de paisagens únicas, do Carnaval e da Festa da Flor, o “Clássicos na Magnólia” afirma-se como uma proposta para quem procura experiências culturais com identidade própria.

Uma razão a mais para vir
A edição deste ano está marcada para 25 e 26 de julho de 2026, e os jardins da Quinta Magnólia vão ser adornados por veículos fabricados entre 1960 e 1964. Para quem planeia uma visita à Madeira nesse período, esta é uma oportunidade única para conjugar o melhor que a ilha tem para oferecer: a sua beleza natural, o charme histórico do Funchal e um evento cultural que prova que a ilha nunca para de surpreender.



