Segunda-feira, Abril 6, 2020
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Congresso APAVT

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O segmento de Meetings & Incentives (M&I), apesar da sua grande importância para o desenvolvimento económico e turístico do país, está a assistir a diversos entraves ao seu desenvolvimento.

Em painel de discussão durante o 45º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Paula Antunes, responsável da DMC Compasso, foi a keynote speaker que começou por afirmar que este é um segmento que exigem cada vez mais qualidade e essa “deve começar logo à chegada ao aeroporto de Lisboa. A primeira imagem que temos é de um estendal de papéis pendurados. Esta massificação de Lisboa e do Porto traz-nos grandes dificuldades, tanto ao M&I como a todas as operações de turismo organizadas. Preocupa-nos a qualidade do destino e a imagem de Portugal”.

Paula Antunes considerou que, por exemplo, “as longas filas para os monumentos não abonam para essa imagem” e adiantou que apenas a existência de soluções digitais poderá fazer com que haja um planeamento de visitas e, consequentemente, a “fluidez” dessas filas.

“Somos os principais interessados na sustentabilidade do destino, mas não conseguimos com medidas meramente de agenda política”, disse, referindo-se às enormes restrições de mobilidade existentes nas maiores cidades do país e, sobretudo, em Lisboa e Porto.

Por outro lado, a responsável da Compasso referiu que a formação qualitativa dos recursos humanos é fundamental para a existência de um destino de qualidade. “A nossa hospitalidade é especial, mas isso não é suficiente para fazer face à concorrência de tantos outros destinos e temos uma lacuna efetivamente na formação. Não basta saber falar em inglês e ser simpático para trabalhar em turismo, a qualificação é fundamental”, alertou perante a plateia formada por mais de 700 congressistas.

A profissional considera que os recursos humanos e formação existentes no turismo são “insuficientes”, o que se torna complicado para um setor tão exigente como o M&I, relembrando que a formação existente em Portugal é ainda muito “vocacionada para o setor hoteleiro e o turismo é muito mais do que isso”, levando a uma “grande dificuldade em contratar jovens”.

Paula Antunes aproveitou ainda para apelar a existência de regulamentação na profissão de guias interpretes, dado ser “fundamentais para garantir a qualidade” dos serviços.

A especialista deixou ainda presente a falta de existência das maiores marcas hoteleiras internacionais para a captação do segmento de luxo. Na sua opinião, a oferta hoteleira existente no país “não é suficiente” para conseguirem captar certos eventos, que exigem um determinado nível e padrão, incluindo até restaurantes e as ligações aéreas entre Lisboa e outros aeroportos do país, tendo dado ênfase ao caso do Algarve. “No caso do Algarve, é maioritariamente visto como destino de praia, mas, na realidade, até tem estrutura hoteleira para receber grandes eventos, sobretudo em época baixa e média, mas não há ligações aéreas necessárias”, referiu.

Para terminar, a responsável alertou uma vez mais para o problema da fiscalidade neste setor. “Somos empresas exportadoras, mas, ao contrário de todas as outras, os nossos clientes não recuperam o IVA. Aqui ao lado, em Espanha, o IVA é recuperado pelas empresas que organizam lá as suas reuniões. Em Portugal, isso não é possível e por isso somos mais caros”, concluiu.

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As palavras foram de Pedro Costa Ferreira na sessão de encerramento do 45º Congresso da APAVT, que termina este sábado, no Funchal.

O dirigente associativo afirmou que neste congresso chegou-se à conclusão que é fundamental “espalhar os benefícios do turismo por todo o país”.

Enalteceu que da apresentação do antigo ministro da economia e professor universitário, Augusto Mateus, pôde-se concluir que “somos melhores a reagir do que a agir” e frisou que este foi “o setor que soube reagir, mais do que ninguém, no último ciclo de crescimento, mas não é tão óbvio que esteja a saber agir, com igual capacidade e efetividade, em direção a uma estratégia vencedora”.

Pedro Costa Ferreira disse ainda, perante uma plateia de 700 congressistas, que deste congresso concluiu que “precisamos de mais capacidade de acumulação de capital e de investimento”. Apesar disso, o profissional defende que “teremos possibilidade de atenuar este constrangimento em modelos de associação e partilha que teremos de implementar com maior efetividade”.

E porque “precisamos de pensar a oferta turística, em lugar de nos focarmos apenas na sua promoção”, o presidente da APAVT adianta que “tal só será possível numa lógica de cooperação entre stakeholders e numa lógica de partilha de territórios”.

“Cooperação, diálogo, partilha e parceria” foram as “ideias mais fortes”, segundo Pedro Costa Ferreira, deixadas pelos oradores e keynote speakers durante os últimos três dias de congresso. O líder dos agentes de viagens garante que estas ideias, no entanto, são “simples na sua formulação” e “mais difíceis na sua concretização”.

Para Pedro Costa Ferreira, “o setor das agências de viagens tem de encontrar novos modelos de associação e interação, que garantam maior produtividade e competitividade”.

Já, por outro lado, deixou presente que “o turismo, como um todo, tem que se unir e fazer, em lugar de se desculpar nos erros dos outros, na instabilidade da gestão pública ou nas circunstâncias de todos”.

O presidente da APAVT garantiu a importância de união de forças entre as principais associações do setor – APAVT, AHRESP, APECATE, ALEP, AHP e CTP. “Temos a obrigação e o estrito dever de nos organizarmos, de nos empenharmos numa visão de conjunto e, sobretudo, num trabalho de matriz comum”.

*A VIAJAR MAGAZINE no Funchal a convite da APAVT

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A cidade de Aveiro, no Centro de Portugal, vai receber em 2020 o 46.º Congresso da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. A novidade foi anunciada esta noite, durante o 45.º Congresso, que decorre até amanhã no Funchal.

O Congresso da APAVT é o mais importante encontro do setor turístico que se realiza em Portugal. Este ano, mais de 700 congressistas estão presentes na Madeira, para um evento que tem como tema “Turismo: Opções Estratégicas”.

De notar que esta será a quarta vez, em dez anos, que o Centro de Portugal acolhe o Congresso da APAVT, depois de tal ter já acontecido em 2011 (Viseu), 2012 (Coimbra) e 2016 (Aveiro). Antes, esta região já tinha sido palco dos congressos de 1981 (Figueira da Foz), 1984 (Fátima) e 1986 (Aveiro). 2020 será assim a terceira vez em que a associação escolhe Aveiro como palco do encontro.

O anúncio da escolha do destino foi feito por Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT. “A APAVT faz 70 anos em 2020. Vamos celebrar esta data no Congresso de Aveiro. Foi com muito carinho que escolhemos Aveiro e o Centro de Portugal, por ser um destino onde sei que os agentes de viagens são reconhecidos, apoiados e sempre muito bem acolhidos em todas as suas iniciativas”, sublinhou. 

Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, e José Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro e vogal da Comissão Executiva do Turismo Centro de Portugal, agradeceram a escolha.

“Convidamos todos os congressistas aqui presentes a estarem também presentes em Aveiro, para debatermos os desafios do turismo. Portugal é um destino que se afirma cada vez mais internacionalmente e o maior desafio que temos é a consolidação deste crescimento. Para ajudar à consolidação, faz todo o sentido que as organizações façam esta descentralização”, disse Pedro Machado. “A APAVT sabe do carinho que temos pelas agências de viagem, que são um pilar fundamental para a nossa coesão territorial. Seguramente, em Aveiro vai ser o maior e melhor congresso de sempre da APAVT. Será para nós um privilégio receber-vos no Centro de Portugal”, acrescentou.

“É um gosto enorme podermos receber o congresso de 2020 da APAVT em Aveiro. A presença deste mesmo congresso, em 2016, foi muito importante: Aveiro vivia um momento dramático e o congresso representou uma nota de esperança para os investidores. Em 2019, já colhemos muitos frutos da vossa presença de há quatro anos, tanto em Aveiro como no Centro de Portugal”, declarou, por sua vez, José Ribau Esteves. “Agora, queremos mais e melhor: queremos prosseguir este caminho do crescimento verdadeiro. Venham todos a Aveiro, ao Centro de Portugal, porque é no centro que está a virtude”, disse ainda.

Considerado pela comunicação social e pelo setor como o principal fórum de debate turístico nacional, os congressos da APAVT realizam-se anualmente e congregam habitualmente centenas de profissionais da atividade turística. O principal objetivo dos congressos é dar aos seus participantes a oportunidade de se encontrarem e discutirem assuntos de elevado interesse para o Turismo português, convidando a APAVT especialistas na matéria que possam contribuir para partilhar experiências e desenvolver novas estratégias para a atividade. Este objetivo é complementado com uma mostra de turismo, promovido conjuntamente com a organização local, onde diversas entidades locais e portuguesas expõem e promovem os seus produtos, gerando negócio e parcerias.
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Augusto Mateus, professor universitário e antigo ministro e secretário de Estado de Portugal, afirma que o “turismo inbound português continua bastante concentrado nos mercados de proximidade, sobretudo Reino Unido, Alemanha, Espanha e França”.

Apresentando um estudo que tem vindo a desenvolver na última década, intitulado “Turismo: Opções Estratégicas”, na 3ª sessão do 45º Congresso da APAVT, a decorrer no Funchal, e aproveitando a presença do presidente do Turismo de Portugal, o antigo governante defendeu que o turismo nacional está “altamente concentrado em poucos mercados emissores chave”.

O especialista frisou que “embora a maior parte do Top 10 sejam mercados de proximidade geográfica, é fora do continente europeu que têm surgido nos mercados mais dinâmicos, com a China, o Brasil e os EUA à cabeça”.

Augusto Mateus defende que “os principais mercados emissores de Portugal não devem ser tratados todos da mesma forma” e adiantou que “a América, a Ásia, a África e a Austrália são fundamentais para dar um salto qualitativo nestas direções”.

Alegando que quase nunca se pensa em sentido contrário, ou seja, qual a importância do mercado português naqueles que são os seus principais destinos emissores de turistas, o professor acrescentou que “portugal é o quarto destino europeu que mais cresce no Reino Unido, embora a evolução em termos de receitas não acompanhe o crescimento de turistas”.

Já se formos analisar o mercado francês “somos campeões”, dado que “Portugal é o destino europeu que mais cresce em França, absorvendo já 6% dos turistas internacionais franceses, seguindo-se Malta, Letónia e Grécia”.

Portugal é ainda “o destino europeu que mais cresce nos EUA, acompanhado de perto pela Croácia”, referiu.

O professor relembrou que a “atividade turística vale 17% do PIB nacional, considerando efeitos diretos e indiretos, e contribui com 11 mil milhões de euros para a balança corrente”. Comparando com os outros destinos europeus, adiantou que “o contributo total do turismo em Portugal é cerca de dez pontos percentuais superior ao registado a nível europeu ou mundial em termos de geração de riqueza”.

“Ganhar o país para o turismo”

Mas, segundo o antigo ministro da Economia, “o turismo não pode ser encarado como portador de efeitos exclusivamente positivos”, pois “existe um conjunto de outros impactos qualitativos que importa identificar, reconhecer, valorizar com o intuito de gerar maior confiança no desenvolvimento turístico como instrumento de crescimento económico, geração de emprego e progresso social”.

Na sua opinião “o turismo não pode ser concebido como uma atividade genérica suscetível de ser desenvolvida em todos os territórios”. Para si “o turismo só pode ser desenvolvido com sucesso de forma sustentável com uma atividade específica, genuína, identitária e diferenciada”.

A título de exemplo deixou presente que é fundamental “pôr a trabalhar para o país aqueles que têm mais capacidade de produzir riqueza”, como é o caso de “Lisboa, Algarve e Madeira”. Isto porque ” nem todas as regiões têm aptidão turística e este aspeto é importante para perceber que o destino Portugal é formado por estas diferenças”.

Estratégia competitiva

Augusto Mateus afirma que uma estratégia competitiva para o turismo em Portugal tem que assentar em quatro processos de transformação: digital, sustentabilidade ambiental, segurança e mobilidade. Pois só desta forma será possível “transformar vantagens comparativas em vantagens competitivas; alargar e aprofundar as fronteiras das vantagens competitivas, respondendo ao dinamismo da procura dos mercados emissores; e expandir a capacidade crítica dos destinos” e assim “dotar os destinos de meios para acompanhar as tendências globais da procura”.

*A VIAJAR MAGAZINE no Funchal a convite da APAVT

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Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, está confiante no futuro do turismo em Portugal no seu todo, mas apontou que apenas “há pouco tempo o país começou a levar a sério o turismo”.

O governante, que participou na sessão de abertura do 45º Congresso da APAVT, deixou presente que é sua ambição que “o peso político do turismo se mantenha”.

A título regional reafirma a importância de “continuar a manter o crescimento económico da região, que resulta de um esforço do investimento privado das empresas”.

Para o presidente do Governo Regional, “o turismo é uma indústria que existe cada vez mais profissionalismo e, neste momento, o que estamos a fazer na Madeira é, não só reforçar a promoção nos mercados tradicionais, mas também em novos mercados alternativos”, como os EUA ou as Canárias.

Por outro lado, não esqueceu a importância crescente do turismo interno e afirmou a importância de o turismo centrar-se, cada vez mais, nas “novas tendências de mercado”, permitindo atrair turistas de diferentes proveniências, com diferentes interesses.

Tentando demonstrar que o Governo Regional está do lado das empresas, o responsável enalteceu ainda que “a Madeira vai continuar a fazer uma redução da carga fiscal no próximo ano, igualando a Irlanda em 12%”.

*A VIAJAR MAGAZINE no Funchal a convite da APAVT

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Melhorar as infraestruturas, aumentar a estada média, criar mais e melhores recursos humanos e capacitar as empresas de mais capacidade de investimento, foram os quatro desafios avançados pela nova secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques, para o seu mandato, naquele que foi o seu primeiro discurso público desde a tomada de posse.

A governante, que falava, esta quinta-feira, na sessão de abertura do 45º Congresso da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, começou por afirmar que no que toca às infraestruturas existem três desafios: “a melhoria das infraestruturas existentes, a capacitação dos agentes que gerem essas mesmas infraestruturas e, não menos importante, os operadores que as utilizam”.

Para Rita Marques é ainda fundamental “saber trabalhar com os operadores aéreos, incentivando-os a diversificar rotas e a trazer turistas para Portugal”, mas admitiu que este é “um trabalho complexo que envolve uma negociação diária, envolvendo vários stakeholders, público-privados, também no Turismo de Portugal”.

Segundo a secretária de Estado, é necessário que “as infraestruturas turísticas que valorizem a oferta”, sobretudo porque a “permanência média de quem nos visita é de 2,6 noites” e “temos que fazer um esforço para que esta média aumente”.

Desta forma, Rita Marques considera que “Portugal tem muito para visitar e para ver e é muito importante que, quer a oferta de alojamento, quer a oferta cultural, exista não só nas cidades, mas em outras geografias, incentivando o turista a percorrer Portugal de lés-a-lés”.

Outro dos desafios por si apontados foi a capacidade de investimento das empresas. “É mais que notório que as empresas agudizam a nível fiscal. O ministro da Economia tem referido a necessidade de procedermos ao alívio fiscal. Ter um sistema fiscal mais justo é importante para que possa potenciar maior investimento também no Turismo”, enalteceu.

O fator qualitativo e diferenciador dos recursos humanos no setor foi o último desafio apontado pela SET. “Fala-se da qualidade destes recursos humanos, da capacitação dos mesmos, dos jovens, dos menos jovens e da valorização das carreiras, mas a quantidade também é importante. Temos de atrair jovens para estas profissões, capacitando, em paralelo, aqueles que já estão connosco e capacitando os empresários que trabalham com os respetivos recursos diariamente”, terminou a governante.

*A VIAJAR MAGAZINE no Funchal a convite da APAVT

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A afirmação foi de Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, no que respeita à “gestão de segurança dos consumidores”.

Dirigindo-se à nova secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques, o dirigente associativo, começou o seu discurso de abertura do 45º congresso da associação, afirmando que, “mantem-se teimosamente por regular, todo o espaço relacionado com a falência das companhias aéreas”.

Segundo Pedro Costa Ferreira, o setor deverá “temer muito mais a falência de uma companhia área, do que qualquer incidente nas viagens dos nossos turistas”. E alertou que, embora nos últimos dois anos tenham falido “36 companhias aéreas”, esta maré negra não vai parar por aqui.

Para o responsável, é fundamental a “criação de um fundo de proteção dos viajantes, que englobe a falência das companhias aéreas”.

Relembrando que o setor vive num “fim de ciclo”, devido ao abrandamento do crescimento do setor, Pedro Costa Ferreira defende que, a estratégia para os próximos dez anos, tem que ser redesenhada, para que se “traga o turismo o turismo para a centralidade económica do país”.

TAP

O novo modelo de distribuição prometido pela TAP já para o próximo ano foi outro dos assuntos que Pedro Costa Ferreira fez questão de enaltecer durante o seu discurso. Para a APAVT é fundamental que a companhia aérea de bandeira garanta uma “equidade no mercado, na igualdade de oportunidades para todos os agentes, da liberdade de escolha do consumidor”.

O profissional afirma “não considerar aceitável que o acesso ao Private Channel da TAP se faça a duas velocidades, porque o mercado é só um, porque todos os players têm que ter as mesmas oportunidades, porque os consumidores têm que ter liberdade de escolha”.

Aeroportos

Já o novo hub de Lisboa no Montijo foi posto em causa por Pedro Costa Ferreira. “Não sei se o Montijo é a melhor resposta ao problema do crescimento do hub de Lisboa ou se será Alverca, como alguém diz agora, ou Alcochete, como alguém decidiu no passado”, referiu, após o lançamento da primeira pedra do novo hub ter acontecido no Montijo há cerca de um ano e até ao momento não ter conhecido quaisquer desenvolvimentos.

Por outro lado, enalteceu que “o problema aeroportuário não é um problema apenas do hub de Lisboa”, afirmando que “o Algarve tem problemas de sazonalidade não resolvidos”, ao passo que “a Madeira tem um problema de inoperacionalidade que vem matando a confiança dos players”.

De acordo com o dirigente associativo, “os problemas aeroportuários são tanto da engenharia, como da política turística. E não é um problema de Lisboa, é de todo o país”. Considera, por isso, importante, nesta legislatura, “uma perfeita interação entre as tutelas do turismo e dos transportes”.

Mobilidade turística

A mobilidade turística nas grandes cidades, sobretudo em Lisboa, foi outro dos assuntos levados ao congresso por Pedro Costa Ferreira. Neste caso, alerta uma vez mais a SET para a necessidade de se criarem condições para “gerir a pressão turística, em nome da qualidade do turismo e do bem-estar das populações”.

No que respeita à capital, Pedro Costa Ferreira acredita que após as últimas conversações que mantiveram com a Câmara Municipal de Lisboa existe agora “uma marcada vontade de dialogar com os parceiros turísticos, com o objetivo de mitigar os efeitos perversos na operação turística, na hotelaria e na restauração”.

IVA

A desigualdade fiscal no setor MI entre Portugal e a vizinha Espanha também não foi esquecida pelo responsável.

“Sabendo nós como o MI pode ser absolutamente fundamental para o crescimento da receita por pessoa, não nos cansaremos de chamar a atenção para este anacronismo em que em Badajoz o mesmo evento é 23% mais barato que em Elvas”, evidenciou.

O 45º Congresso da APAVT está a decorrer até domingo, dia 17 de novembro, no Hotel Savoy Palace, no Funchal.

*A VIAJAR MAGAZINE no Funchal a convite da APAVT

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“Sim, o aeroporto de Lisboa é um problema e não adianta virem dizer que estamos a falar sempre da mesma coisa. Falaremos até que o problema esteja resolvido”, afirmou Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, perante um aplauso efusivo da plateia, na sessão de encerramento do 44° Congresso Nacional da associação.

O aeroporto da Madeira também esteve na mira do dirigente associativo. Este considera que a infra-estrutra aeroportuária insular “enfrenta uma situação anacrónica, em que a tecnologia que hoje existe nas aeronaves e aeroporto, estão limitadas por uma legislação de 1964, e onde apenas o medo de atuação política pode justificar a inexistência de ação”.

Pedro Costa Ferreira garante que “o crescimento anterior não garante o crescimento futuro” e assegura que tudo tem a ver “com percepção do futuro e planeamento”.

Embora o responsável tenha considerado no seu discurso da sessão de abertura do congresso estarmos num final de ciclo para o Turismo, agora esclarece que “falar em final de ciclo, nada tem a ver com a perspetiva de decrescimento, tem a ver exatamente com a vontade de continuar a crescer”. E continuou, “é porque queremos crescer no futuro que temos que ter melhores estatísticas; é por querermos crescer no futuro, que seria importante acordarmos num critério de acompanhamento da atividade; e sim, tudo indica que o acompanhamento da receita parece ser o critério mais razoável”.

Por outro lado, defende que “devemos combater a politização do turismo, a híper regulamentação ou a esquizofrenia legislativa”. A título de exemplo, relembro a intervenção do ex-secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, afirmando : “não podemos, na mesma semana, acolher o Web Summit, dar uma canelada no alojamento local e ainda um puxão de orelhas à Uber. É que a rapaziada que esteve no Web Summit, além da hotelaria tradicional, frequentou o alojamento local, tendo-se deslocado de Uber…”.

Pedro Costa Ferreira disse que outra das conclusões que retirou deste congresso foi “a certeza de que, do mesmo modo que a formação é o único caminho que conduz à melhoria da qualidade do serviço, sabermos inserir as nossas empresas na economia digital será vital”. Por outro lado, concluiu afirmando que “o setor está mais preparado tecnologicamente”, mas adianta que “há muita ferramenta que está disponível, quer do ponto de vista da sua maturidade económica, quer do ponto de vista do seu custo, que poderá contribuir para a modernidade das agências de viagens, e, sobretudo, para a melhoria da resposta técnica e da interação com o cliente”.

 

* por Sílvia Guimarães, em Ponta Delgada a convite da APAVT

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“Não temos um aeroporto em colapso”, a afirmação é do administrador e diretor de Operações da ANA Aeroportos, Francisco Pita.

“Temos um aeroporto que está esgotado, mas que não está em colapso. Estamos a operar dentro da capacidade que temos e não acima da capacidade perante a qual podemos operar”, esclareceu perante a plateia de congressistas do 44º Congresso da APAVT, respondendo em palco a uma entrevista exclusiva conduzida por Pedro Costa Ferreira, presidente da associação.

Segundo o gestor, esta previsão de enorme crescimento do Turismo em Portugal, e em específico na região de Lisboa, não foi prevista pelos indicadores e estudos realizados à cerca de 10 anos atrás, dado que “as previsões há alguns anos não apontavam para este nível de crescimento. O que aconteceu ultrapassou claramente tudo o que podia ser previsto e o resultado foi este.

Desta forma, Francisco Pita prevê que irão fechar o ano de 2018 no Aeroporto Humberto Delgado com 29 milhões de passageiros transportados, ou seja, com mais 10 milhões de passageiros do que apontavam as previsões feitas há dez anos”. Só para ter termo de comparação, avançou com o caso do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, em que o tráfego anual é precisamente de 10 milhões de passageiros. “Se o tráfego [em Lisboa] tivesse crescido ao ritmo que estava previsto no contrato de concessão, teríamos nove anos para poder estar a estudar uma solução”, o que não aconteceu.

Montijo: Sim ou não?

Em relação ao aeroporto complementar do Montijo, o administrador garantiu que a ANA Aeroportos e a VINCI defendem “o desenvolvimento da Portela como um hub e um aeroporto complementar no Montijo. O que defendemos é uma solução dual para a região de Lisboa em contraponto com uma solução de um único aeroporto. Defendemos isto por um conjunto de motivos. A solução do Montijo como aeroporto complementar não é nova. É uma solução que já tinha sido várias vezes estudada. O Montijo há muito que está identificado como sendo uma das soluções mais viáveis para a expansão da capacidade aeroportuária, porque tem uma pista praticamente paralela à da Portela e a uma distância que permite a independência das duas pistas”.

Neste momento, o diretor de Operações assegura que a pista da Portela “não consegue oferecer mais de 38 movimentos por hora”, mas com as alterações previstas para o atual aeroporto da capital “o que está previsto é na Portela passar a ter 48 movimentos por hora e adicionar no Montijo 24 movimentos ficando 72 movimentos por hora”.

No que respeita ao tão esperado Estudo de Impacte Ambiental para que se possa avançar com o Montijo, Francisco Pita afirma que ainda nada está decidido, sendo que a ANA Aeroporto deverá entregar ainda até ao final deste ano as informações adicionais que irão permitir concluir o estudo e que foram exigidas pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Taxas aeroportuárias: elevadas ou não?

Quando Pedro Costa ferreira tocou no assunto, Francisco Pita disse de imediato que “não é verdade que as taxas tenham subido demasiado, nem que tem tenham subido vezes demais para valores exorbitados” e garante: “O que estamos a fazer está alinhado pelo contrato de concessão que temos com o Estado. Os aumentos foram em linha com esse contrato e concessão, e foram moderados”.
Assim, “o que fazemos quando mexemos em taxas aeroportuária é olhar para os nossos concorrentes (…) A ANA tem um interesse alinhado com o setor em que queremos crescer o tráfego. Somos os primeiros interessados em ter taxas competitivas com os nossos concorrentes”.
por Sílvia Guimarães, em Ponta Delgada a convite da APAVT