APAVT 2019: M&I ainda enfrenta grandes dificuldades em Portugal

APAVT 2019: M&I ainda enfrenta grandes dificuldades em Portugal

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O segmento de Meetings & Incentives (M&I), apesar da sua grande importância para o desenvolvimento económico e turístico do país, está a assistir a diversos entraves ao seu desenvolvimento.

Em painel de discussão durante o 45º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Paula Antunes, responsável da DMC Compasso, foi a keynote speaker que começou por afirmar que este é um segmento que exigem cada vez mais qualidade e essa “deve começar logo à chegada ao aeroporto de Lisboa. A primeira imagem que temos é de um estendal de papéis pendurados. Esta massificação de Lisboa e do Porto traz-nos grandes dificuldades, tanto ao M&I como a todas as operações de turismo organizadas. Preocupa-nos a qualidade do destino e a imagem de Portugal”.

Paula Antunes considerou que, por exemplo, “as longas filas para os monumentos não abonam para essa imagem” e adiantou que apenas a existência de soluções digitais poderá fazer com que haja um planeamento de visitas e, consequentemente, a “fluidez” dessas filas.

“Somos os principais interessados na sustentabilidade do destino, mas não conseguimos com medidas meramente de agenda política”, disse, referindo-se às enormes restrições de mobilidade existentes nas maiores cidades do país e, sobretudo, em Lisboa e Porto.

Por outro lado, a responsável da Compasso referiu que a formação qualitativa dos recursos humanos é fundamental para a existência de um destino de qualidade. “A nossa hospitalidade é especial, mas isso não é suficiente para fazer face à concorrência de tantos outros destinos e temos uma lacuna efetivamente na formação. Não basta saber falar em inglês e ser simpático para trabalhar em turismo, a qualificação é fundamental”, alertou perante a plateia formada por mais de 700 congressistas.

A profissional considera que os recursos humanos e formação existentes no turismo são “insuficientes”, o que se torna complicado para um setor tão exigente como o M&I, relembrando que a formação existente em Portugal é ainda muito “vocacionada para o setor hoteleiro e o turismo é muito mais do que isso”, levando a uma “grande dificuldade em contratar jovens”.

Paula Antunes aproveitou ainda para apelar a existência de regulamentação na profissão de guias interpretes, dado ser “fundamentais para garantir a qualidade” dos serviços.

A especialista deixou ainda presente a falta de existência das maiores marcas hoteleiras internacionais para a captação do segmento de luxo. Na sua opinião, a oferta hoteleira existente no país “não é suficiente” para conseguirem captar certos eventos, que exigem um determinado nível e padrão, incluindo até restaurantes e as ligações aéreas entre Lisboa e outros aeroportos do país, tendo dado ênfase ao caso do Algarve. “No caso do Algarve, é maioritariamente visto como destino de praia, mas, na realidade, até tem estrutura hoteleira para receber grandes eventos, sobretudo em época baixa e média, mas não há ligações aéreas necessárias”, referiu.

Para terminar, a responsável alertou uma vez mais para o problema da fiscalidade neste setor. “Somos empresas exportadoras, mas, ao contrário de todas as outras, os nossos clientes não recuperam o IVA. Aqui ao lado, em Espanha, o IVA é recuperado pelas empresas que organizam lá as suas reuniões. Em Portugal, isso não é possível e por isso somos mais caros”, concluiu.

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