TAP anuncia nova rota para Orlando nos EUA

por Sílvia Guimarães

O céu de 2026 desenha-se com novas coordenadas para a TAP Air Portugal. Durante a BTL, Luís Rodrigues, CEO da companhia, não apenas revelou o mapa de expansão para o próximo ano, mas apresentou uma visão de uma empresa que procura, simultaneamente, crescer com audácia e gerir a incerteza de um mercado global em constante ebulição.

A grande novidade, guardada para o final de outubro de 2026, é a ligação direta entre Lisboa e Orlando, na Florida. Para o CEO, a decisão é uma resposta natural à demografia e à dinâmica comercial: “Como temos cada vez maiores comunidades portuguesas e brasileiras naquele estado”, explicou Rodrigues, adiantanto ainda que “a TAP não pode esconder-se do maior mercado do mundo, que é os Estados Unidos”. É, nas palavras do responsável, um movimento que denota “o vigor e o atrevimento de aumentar a sua operação” num cenário de diversificação geográfica essencial para a mitigação de riscos.

O Brasil e o Porto no centro da estratégia

O ano de 2026 será marcante para a relação histórica da companhia com o Brasil, que celebra seis décadas de voos regulares. A aposta reforça-se com a abertura de rotas para Curitiba, em julho, e São Luís do Maranhão, em outubro.

Mas a estratégia não ignora a geografia nacional. O Porto assume um protagonismo renovado, com novas rotas para Praia, Telavive e Terceira, além da operação anual para Boston. Luís Rodrigues foi taxativo sobre a importância desta abordagem: “O país é mais do que Lisboa e há um enorme potencial de mercado a Norte. Temos que saber explorá-lo de forma sustentável”. A instalação de uma base de manutenção na cidade invicta é o selo prático dessa intenção.

Entre a volatilidade e o pragmatismo

Apesar do tom otimista quanto à expansão, o líder da companhia mantém os pés na terra. Questionado sobre os resultados financeiros num ano de “enorme volatilidade”, Rodrigues adotou uma postura de prudência: “Começámos bem o ano. É isso que podemos dizer agora”. E, sobre a gestão futura, a fórmula é a adaptação contínua: “Não vamos construir expectativas sobre o que é que vai acontecer, vamos ajustar” a capacidade à medida que os mercados reagirem.

Sobre o aguardado processo de privatização e a existência de uma proposta única, o CEO encarou a situação com naturalidade: “Apareceu uma, que era aquilo que estávamos à espera, e é completamente natural”, afirmou, mantendo o horizonte de junho de 2026 como a data de referência para o desfecho do processo.

A nova segmentação a bordo

A experiência do passageiro também será alvo de renovação. Com o lançamento de uma classe intermédia nos Airbus A330 e A321LR, a TAP procura refinar a sua oferta, posicionando-se melhor num mercado de longo curso cada vez mais segmentado.

Para lá da operação aérea, a companhia quer consolidar-se como um embaixador do desporto nacional. Ao anunciar novas parcerias com o Comité Olímpico, o Comité Paralímpico e a Federação Portuguesa de Futebol, Luís Rodrigues reforçou a ideia de que a marca deve ser maior do que o seu serviço: “Temos empresas que têm um propósito maior do que a sua atividade. Devemos estar associados àqueles que são maiores do que nós e melhores do que nós, porque nos estimulam”.