Congresso AHP: “Há uma margem de crescimento do turismo que é preciso...

Congresso AHP: “Há uma margem de crescimento do turismo que é preciso valorizar”

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“A riqueza e diversidade de culturas locais e regionais faz parte da identidade nacional dos países e é fundamental na atração turística”. Foi com esta premissa que Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros deu início ao primeiro painel, daquela que é já a 29.ª edição do Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, que decorre em Coimbra, entre 15 e 17 de novembro.

O auditório do Convento São Francisco encheu-se para ouvir atentamente os oradores deste primeiro painel: Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo; Márcio Favilla, executive director for Operational Programmes and institutional Relations da Organização Mundial de Turismo e Sofia Colares Alves, chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal.

Sob o tema “Descobriram Portugal. E Agora?!”, o congresso levado a cabo pela AHP – Associação de Hotelaria de Portugal, começou por debater questões como afirmar e promover as regiões no quadro nacional, o posicionamento da Europa, bloco económico e político e cultural perante os demais continentes; que desafios comuns enfrentamos e que cooperação e políticas comuns são gizadas que têm impacto no Turismo.

“Diz-se que vivemos um efeito de moda e aparecemos como um oásis de segurança, que contrasta com os nossos vizinhos, mas a verdade é que o aumento do Turismo em Portugal não é justificado por estas razões, mas sim pelo cosmopolitismo e os recursos naturais que o país apresenta”, sublinhou Augusto Santos Silva, esta quinta-feira, 16 de novembro, acrescentando que a “diversidade de oferta existente” com poucos quilómetros de distância entre si tem ajudado neste aumento.

“É preciso não depreciar o esforço enorme que o país e os empresários fizeram nestes últimos anos, modernizando as infraestruturas para que a hotelaria seja atrativa, a qualidade dos recursos humanos que hoje existe no mercado e a capacidade de atrair novos produtos e vivências”, foram algumas das causas apresentadas pelo governante, que relembrou ainda que o Turismo “vale hoje 7% do nosso PIB e 8% do emprego; foram criados só este ano mais de 50 mil postos de trabalho líquido neste sector”.

Augusto Santos Silva referiu ainda a necessidade de contrariar a ideia de “que temos Turismo a mais”, sublinhando que há uma “margem de crescimento do turismo que é preciso valorizar. Precisamos do Turismo para que o tecido empresarial não regresse ao panorama que foi vivido há uns anos com a crise.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros frisou ainda a necessidade de se centrarem em três pilares: Economia, Cultura e Internacionalização, acrescentando existir já “algum trabalho feito e outro está em curso, mas é preciso que continue e se consolide”.

Para o governante existem cinco linhas de ação que deverão ser tidas em conta, nomeadamente “tirar todo o partido dos valores dos ícones que projetam hoje Portugal no mundo. Há pessoas e expressões muito próprias associadas à projeção do país”, dando ainda exemplo de vários nomes de portugueses que hoje ocupam lugares cimeiros.

Valorizar a paz, segurança e inovação dos serviços; a forma como se ligam os mercados turísticos e as relações bilaterais; a valorização do Património quer material quer imaterial e ainda a língua portuguesa foram as restantes linhas de ação apontadas por Augusto Santos Silva.

Como combater excessos do crescimento turístico

Encontrar novas formas de levar as pessoas a descobrirem outros pontos do país foi uma das razões apontadas por Ana Mendes Godinho como uma das formas de dispersar o turismo nas grandes cidades.

Moderado por Ricardo Costa, diretor-geral de Informação do Grupo Impresa, o painel relembrou as queixas atuais do “excesso” de turistas em Lisboa e Porto e da falta de transportes e habitação que se começa a sentir.

A SET começou por relembrar como era Lisboa há dez anos, afirmando que o Turismo tem ajudado as cidades a reabilitarem-se, criando também mais segurança, negando que “estamos longíssimo da sobrecarga”. A responsável pela pasta do Turismo avançou ainda que estão a ser estudadas soluções para uma maior sustentabilidade no sector. “Queremos que 90% da população esteja satisfeita com o progresso no turismo. Lançámos o repto para a sociedade civil e para as câmaras municipais para anteciparmos problemas e sabermos agir sobre eles”.

Já Márcio Favilla, frisou o facto de o atual panorama que se vive em Portugal em termos turísticos ser um trabalho que tem vindo sendo feito ao longo dos anos, que lhe tem permitido agora colher os frutos. O mesmo responsável acredita que nos próximos anos vai continuar a verificar-se um aumento no Turismo, muito devido à capacidade económica das pessoas, que lhes permite viajar.

Em termos de crescimento mundial, o responsável da OMT refere que a Ásia vai continuar a crescer nos próximos 15 anos. China, Índia, Rússia e até o Brasil são mercados que têm vindo a crescer e que assim se manterão e nesse sentido Márcio Favilla acredita que a Europa vai continuar a ser um destino preferencial no mundo, até porque segundo o mesmo, “o Continente continua a ser uma referência a nível mundial”.

“Todas as crises são oportunidades e Portugal soube tirar oportunidades no Turismo”, começou por dizer Sofia Colares Alves, realçando que a Primavera Árabe e o surgimento de novos modelos económicos e de plataformas digitais foram algumas delas.

Comunicação digital pode ser solução

“Neste momento temos um modelo de promoção misto, o que eu sinto é que temos de garantir uma informação mais diária do que aquela que está a acontecer atualmente no país. Esta articulação com as regiões de turismo está a funcionar em termos de feiras, mas em termos digitais podemos melhorar”, ressalvou Ana Mendes Godinho, cuja solução passa por “a informação digital estar ao dispor das regiões, nesse sentido estamos a tentar criar um modelo”.

A governante deu ainda como exemplo o Visit Portugal que já tem 10 milhões de visitantes: “A ideia é que esta plataforma não fosse só de oferta turística, mas também de venda, ou seja deveríamos ter uma oferta integrada que permitisse ao visitante comprar logo aquilo que lhe estamos a propor”.

Recursos humanos são um problema

O crescimento do Turismo em Portugal traz consigo uma outra preocupação para Ana Mendes Godinho, a falta de mão de obra qualificada, que confessa ser o assunto que mais tem ouvido nos últimos tempos.

“Entre 2015 e 2017 temos mais de 70 mil novas pessoas a trabalhar no Turismo. A aposta na formação neste momento é total, pois as nossas escolas de Turismo apenas garantem 3.000 pessoas e não conseguem dar resposta ao mercado. O nosso objetivo é que nos próximos 10 anos consigamos passar dos atuais 30% de pessoas qualificadas no sector para as 60%”, disse ainda.

A SET relembrou ainda os programas em curso no Algarve para promover relações duradouras com os colaboradores naquela região, mas também um programa para a formação e reconversão de outras atividades, de pessoas mais velhas que queiram trabalhar no turismo.

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