Grupo Vila Galé equaciona criar incentivos à habitação para atrair trabalhadores estrangeiros

Jorge Rebelo de Almeida, presidente do Grupo Vila Galé, admite que a crise de recursos humanos no setor já não se limita apenas à existência de salários a cima da média. Para o empresário hoteleiro, “não é só o salário que interessa, é o pacote global”, ou seja, considera fundamental os hoteleiros “puxarem pela imaginação” para os seus funcionários “possam melhorar de vida”.

O empresário, que falava com a imprensa do trade à margem da apresentação do novo restaurante Massa Fina, que decorreu na passada quinta-feira, dia 10 de novembro, no Vila Galé Porto, defende que “a realidade é que ao darem um aumento [salarial] esse é todo absorvido e quem fica a ganhar é o Estado”.

Apesar de afirmar que o Grupo Vila Galé já oferece aos seus funcionários seguro de saúde e 65% de desconto em todas as unidades do grupo, o executivo adiantou que está a pensar avançar, já no próximo ano, com “incentivos para a habitação” para atrair mais  recursos humanos para os seus hotéis, algo que defende que “deveria ser o Estado a resolver e não resolve”.

O responsável garante que a falta de mão de obra na hotelaria já não se consegue resolver sem a vinda de trabalhadores oriundos de outros países e, para isso, é necessário “criar condições para os receber”.

“Ninguém tem uma estratégia para o país

Outra das grandes dificuldades com que o grupo tem-se deparado nos últimos anos passa pelas “dificuldades de resposta da administração pública às aprovações, aos apoios, aos incentivos, ao desbloqueio do que quer que seja”. Jorge Rebelo de Almeida frisa que todas estas “estão terríveis, estão pior que nunca”.

Demostrando-se desapontado com a estratégia do governo para o Turismo, e consequentemente para a hotelaria, o presidente da Vila Galé afirma que “ninguém tem uma estratégia para o país, para onde é que vamos, qual é o caminho, o que é que vamos fazer” e assegura que “a iniciativa pública está muito parada”.

O hoteleiro relembra ao governo que tem uma maioria absoluta na Assembleia da República, mas “não fazemos nada do que está para ser feito”, sobretudo numa altura em que “nunca tivemos condições tão boas politicamente”. A título de exemplo apontou a falta de aprovação para a construção do novo aeroporto, os constrangimentos diários no aeroporto de Lisboa, a falta até hoje de uma linha de alta velocidade ferroviária e a situação em que se encontra a TAP.

Jorge Rebelo de Almeida defende que “a solução para o país será concessionar” e demonstra-se surpreso com a tão rápida recuperação do Turismo em 2022, especialmente quando a “iniciativa pública está muito parada” e sem a existência de “uma estratégia para o futuro”.

“O nosso futuro tem que ser seguir um caminho de melhoria. Temos que ter o engenho e a arte de crescer mais na receita do que na quantidade de gente, porque não temos um espaço ilimitado”, disse.

Ponta Delgada, Beja e Tomar para 2023

Apesar de todas as dificuldades com aprovações governamentais e locais, o grupo Vila Galé está a preparar-se para abrir mais quatro hotéis no próximo ano, Ponta Delgada, Beja e duas unidades em Tomar, e outras duas em 2024, uma em Viana do Castelo e outra no Cumbuco, no Brasil.

Quanto a balanços, Jorge Rebelo de Almeida afirma que 2022 foi “maravilhoso”, mas já se mostra mais reservado em relação ao próximo ano.

“Este ano estávamos a respirar de alívio depois de dois anos sem dormir, a roer as unhas e a fazer obras, e de repente estávamos a começar bem e já se ameaça que para o ano vai ser terrível”, devido à inflação e recessão.

As pessoas não poderão “ter um comportamento de excesso de euforia, porque não vai ser maravilhoso, mas também não de excesso de negativismo”, porque o importante será “fazer coisas, com a consciência de que pode haver problemas, mas, ao mesmo tempo, mantendo a atividade”.

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