Michael Hutzelmann, diretor-geral de Vendas da Lufthansa para Portugal

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“Esperamos vir a terminar o ano com um milhão de passageiros transportados nas rotas de Portugal”

Otimista em relação à operação da Lufthansa para Portugal, por afirmar que o país está a começar a sair da crise, Michael Hutzelmann espera que a companhia aérea que representa em Portugal venha a transportar este ano o número recorde de um milhão de passageiros de e para Portugal, ultrapassado assim os 900 mil passageiros de 2014. Só entre Janeiro e Setembro deste ano as rotas de Lisboa, Porto e Faro registaram uma taxa de ocupação (seat load factor) de quase 87%, o mais alto da Europa durante esse período.

Viajar – A Lufthansa tem vindo a afirmar que o mercado português é muito forte para a companhia aérea. Que posição ocupa Portugal dentro do mercado europeu?
Michael Hutzelmann – Portugal, tendo em conta os portugueses que viajam com a Lufthansa, está a ocupar a sétima ou oitava posição do ranking europeu a contribuir para o volume de negócios da companhia. Estamos à frente de países com um maior número de população e aeroportos, o que é excelente!

Quantos passageiros pensam vir a transportar este ano de e para Portugal?
Mesmo sabendo que é bastante ambicioso, esperamos vir a terminar o ano com um milhão de passageiros transportados nas rotas de Portugal, para Lisboa, Porto e Faro. Se isso se verificar, será um recorde, dado que no ano passado chegámos aos 900 mil passageiros, o que já foi um recorde para a transportadora. 2012 foi o nosso pior ano devido à crise, mas em 2013 já começámos a ter sinais de retoma, que verificámos estar a começar a ser ultrapassada em 2014.
Embora estejamos muito empenhados no mercado português, a companhia não tem vindo a colocar voos extras para Portugal, apenas tem vindo a optar por aviões mais modernos com um maior número de lugares. A única barreira que temos em Portugal, é que já estamos a operar para cá com o nosso mais moderno avião para rotas europeias, o Airbus A-321, e não o podemos fazer com um ainda maior porque não seria rentável para a empresa. Temos vindo a encher o avião muito mais frequentemente do que nos anos anteriores.

Qual o seat load factor que têm vindo a registar durante este ano?
No acumulado nos primeiros nove meses deste ano atingimos quase os 87%. É mais do que esperávamos e posso dizer que Portugal foi o mais alto seat load factor que tivemos na Europa durante esse período.

Por que está isso a acontecer com esta rota?
Tem a ver com dois motivos. O primeiro porque Portugal é um país que tem inúmeros atrativos para quem procura viajar, além de preços bastante competitivos em relação aos seus mais diretos concorrentes. Não é por acaso que tem recebido imensos turistas vindos do norte da Europa, das Américas e da Ásia. São números que aumentaram desmesuradamente. Automaticamente, com esta enorme procura para com o destino, é fácil de superar a oferta disponibilizada pelas companhias aéreas. Depois, em segundo lugar, apesar das greves e de tudo o que isso implica, a confiança dos passageiros para com a Lufthansa ainda continua num patamar muito elevado neste mercado.

Está a querer dizer que o passageiro turista está a ter uma maior importância para esta rota do que o passageiro que viaja em negócios?
Não, não é isso. Temos tido um ótimo equilíbrio entre os segmentos de lazer e o corporate nos nossos voos, até porque estamos segmentados com uma companhia corporate e temos transportado imensos profissionais, sobretudo ligados a pequenas e médias empresas. Não estamos a funcionar apenas numa única direção, ambos os segmentos têm tido uma enorme importância para a Lufthansa em Portugal, mas no incoming foi o segmento de lazer que mais cresceu nos últimos tempos.

Que medidas estão a tomar para combater o assédio cada vez maior das companhias aéreas low cost?
Sempre encarámos os nossos concorrentes muito seriamente, quer sejam eles companhias aéreas tradicionais ou de baixo custo. No entanto, não nos podemos esquecer que temos um portfólio de destinos bastante diferente e maior em relação a essas companhias. Depois os nossos serviços também são mais completos e connosco há uma menor hipótese de, por exemplo, uma bagagem de porão se desviar ou até mesmo se perder. As tarifas que dispomos são flexíveis e com possibilidade dos clientes serem ressarcidos do seu dinheiro caso não possam viajar na data que haviam marcado. Tendo em conta todos estes itens, acredito que, enquanto companhia aérea tradicional, estamos a fazer um trabalho muito melhor e mais completo. Esta conclusão não é apenas tirada das nossas mentes é o que os clientes nos têm feito passar através das suas opiniões e sugestões.
Mas há que destacar que as low-cost vieram originar uma procura para destinos que anteriormente quase não eram operados por via aérea. Apostaram em cidades secundárias, também elas com atrativos turísticos, que começaram a crescer devido à aposta dessas companhias.

Estão a pensar lançar a curto ou médio prazo algum voo para a Madeira ou Açores?
Sim, estamos em processo de avaliação para alargarmos a nossa operação ao Funchal e a Ponta Delgada, embora ainda não haja nada de concreto, até porque não temos um avião disponível para iniciarmos uma destas rotas ou até ambas. Quem sabe num futuro próximo.

A Lufthansa alterou recentemente o seu modelo de distribuição. Isso já está a refletir-se nas vendas da companhia aérea?
Quando optámos por esta modificação sabíamos, à partida, que estávamos a correr determinados riscos. Até ao momento estou muito satisfeito com os resultados dessa mudança e não temos registos de quaisquer descidas em relação ao número de reservas por parte dos operadores ou agentes de viagens.

Por que decidiram alterar o modelo?
Este novo modelo de distribuição que foi implementado era fundamental e necessário e os operadores e agentes de viagens conseguiram compreender por que razão tivemos que o fazer. O anterior já não era sustentável para uma companhia aérea clássica como a Lufthansa. É muito diferente o valor de custo para a companhia aérea de uma reserva direta através da Internet ou através de um agente de viagens e não podíamos continuar a suportar esses gastos. Considero de extrema importância continuarmos a trabalhar com os operadores e agentes de viagens.

Pode-se dizer que a Lufthansa quer tornar-se cada vez mais independente?
Não necessariamente, até porque os agentes de viagens são os nossos principais parceiros. Seriamos loucos pensar o contrário. Pretendemos é que haja uma mudança na forma de distribuição. Acreditamos que este negócio deverá crescer ponderando novos sistemas de distribuição mais vantajosos para todos, porque o atual modelo de GDS está ultrapassado e obsoleto.

Os portugueses reservam mais pela Internet e ainda recorrem bastante aos agentes de viagem?
Sem dúvida que este mercado ainda prefere recorrer ao agente de viagem na hora de reservar. Isso observa-se muito mais em Portugal do que em outros mercados europeus. Não nos podemos esquecer que os agentes de viagens portugueses estão equipados com uma tecnologia extremamente avançada que proporciona isso mesmo. Depois dispõem de marcas e nomes muito fortes no mercado que faz com que os clientes depositem inteira confiança nos seus serviços. Talvez os portugueses se sintam mais protegidos ao terem alguém a quem bater à porta caso alguma coisa corra menos bem.

A estrutura de direção de toda a companhia aérea está neste momento a mudar? Portugal também irá conhecer um novo rumo?
Quase toda a estrutura diretiva da empresa sofreu alterações, que estão a ser implementadas até ao início de 2016. Portugal também faz parte dessa restruturação. A direção será mantida, mas poderei contar com um maior número de profissionais na minha equipa, o que demonstra uma forte aposta da empresa neste mercado.

O que perspetiva para o futuro em Portugal?
Tendo em conta os números de 2014 e agora de 2015 penso que estamos no bom caminho para sairmos de vez da crise económica que se fez sentir por toda a Europa e, particularmente, em Portugal. Apesar da concorrência e da ainda incerta situação política nacional, acredito que vamos prosperar, principalmente devido ao enorme potencial deste país para ser ainda mais explorado no futuro. Este é um mercado com o qual estamos comprometidos e só temos as melhores razões para continuarmos a apostar nele sempre mais e mais.
DESTAQUES

“Mesmo sabendo que é bastante ambicioso, esperamos vir a terminar o ano com um milhão de passageiros transportados nas rotas de Portugal, para Lisboa, Porto e Faro. Se isso se verificar, será um recorde”.

“No acumulado nos primeiros nove meses deste ano atingimos quase os 87%. É mais do que esperávamos e posso dizer que Portugal foi o mais alto seat load factor que tivemos na Europa durante esse período”.

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