O interior do país é o novo luxo do século XXI

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Opinião de Pedro Machado, presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal

 

Há duas visões possíveis para o interior do país. Pode olhar-se para estes territórios menos povoados, genericamente designados de baixa densidade, com condescendência e fatalismo. Acreditar que não vale a pena investir nas populações que os habitam desde tempos imemoriais. Desistir de tentar reequilibrar a balança, que pende de forma esmagadora para o litoral. Pode, por outro lado, olhar-se para estes territórios como terras de oportunidades, onde se encontram experiências de que sentimos falta nas zonas mais “desenvolvidas”: a paz, a tranquilidade, o bem-estar, o tempo de qualidade… experiências essas crescentemente valorizadas pelas novas gerações de viajantes. O interior do país pode, e deve, assumir-se como destino privilegiado para quem quer usufruir destes verdadeiros luxos, cada vez mais procurados no século XXI.

O Centro de Portugal é, em todo o seu território, uma região especialmente indicada para satisfazer as necessidades destes novos viajantes. É uma região de excelência para que procura turismo ativo, trilhos pedestres ou de bicicleta na natureza (estão disponíveis mais de 700 quilómetros de percursos pedestres no Centro de Portugal), mas também o património histórico, a cultura e o turismo espiritual. Esta é uma região que tem na sua grande diversidade um trunfo estratégico. Aqui, podemos relaxar no meio do verde, com tempo, afastados dos destinos massificados, e apreciar a boa gastronomia regional, cozinhada também ela sem pressas, enquanto se degusta um bom vinho. Desde o litoral atlântico aos territórios da raia, encontramos natureza em estado quase puro. É ou não um luxo raro?

Acresce que este novo luxo atrai visitantes com poder de compra mais elevado, dispostos a pagar pelo silêncio, pela segurança e pelo tempo de qualidade. É um dos objetivos preferenciais para o Turismo Centro de Portugal posicionar a região junto destes targets, a nível nacional e internacional. Nos últimos anos tem-se registado uma evolução clara dos mercados emissores para a região: países como EUA, Canadá, Brasil, Coreia do Sul, França, Itália e Alemanha são cada vez mais importantes, ao lado de Espanha e do mercado interno, tradicionalmente os mais importantes. Estes novos mercados trazem novas oportunidades para os territórios de baixa densidade.

É de realçar igualmente que o turismo vocacionado para este segmento contraria também o problema da sazonalidade. A região está capacitada para oferecer experiências turísticas integradas durante todo o ano, contrariando o que aconteceu durante décadas desperdiçadas, quando Portugal se limitava a oferecer sol e praia, limitando a atividade turística a apenas uma época por ano, com as consequências que se conhecem.

Finalmente, há que destacar o que isto significa para as populações: é uma oportunidade real de fixar pessoas e de melhorar as suas condições de vida, dando a volta ao infortúnio. Numa altura em que a coesão e a sustentabilidade entraram no léxico do turismo, promover o interior como destino de excelência é certamente o caminho a seguir. Ao preservar-se a autenticidade dos recursos, marcas e produtos da Centro de Portugal, ao apostar-se no turismo de natureza e no ecoturismo, ao oferecer-se experiências genuínas a quem nos visita, estão a criar-se condições para que a região seja atrativa e que tenha um futuro sustentável.

 

 

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