“Turismo em Portugal: é tempo de fazer acontecer!”

Opinião de PEDRO MACHADO, presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal

 

O setor turístico tem vivido grandes e difíceis desafios nos últimos anos. A pandemia colocou um travão num crescimento que parecia até então imparável e pôs em causa a sobrevivência de todas as empresas que, direta ou indiretamente, dependem do Turismo. Receou-se o pior e temeu-se pelo futuro.

Os dados já conhecidos sobre a atividade este ano vieram, no entanto, devolver a confiança e a esperança aos players do setor. E estes mostraram, uma vez mais, a grande capacidade de adaptação que é sua característica.

Todos nós soubemos retirar ensinamentos desses momentos. Aprendemos a não descansar à sombra dos sucessos, que são por definição efémeros. Aproveitámos para repensar a atividade e para refletir sobre os novos rumos que o Turismo pode e deve seguir.

Este é o tempo de olhar em frente e de construirmos um setor do Turismo mais resistente a fenómenos conjunturais. É tempo de fazer acontecer!

Na diversidade tão rica que constitui a experiência turística, há novos caminhos e novas tendências a explorar. Desde logo, o reencontro com as formas menos massificadas de fazer turismo. A procura pelo turismo de natureza recrudesceu nos anos da pandemia e é um exemplo de um produto que veio para ficar. Não se pense, todavia, que o turista que procura o reencontro com a natureza é menos exigente. Pelo contrário: o turismo que procura aliar os percursos naturais com experiências gastronómicas, de bem-estar ou culturais, é um segmento com grande potencial de crescimento e com capacidade económica acima da média.

Outro segmento de mercado que assume grande relevância estratégica, ainda agora comprovada na recente web summit, são os chamados nómadas digitais. Mais do que um modismo passageiro, este é um segmento estratégico. Portugal reúne condições únicas, a nível do clima, da hospitalidade ou da segurança, para atrair quem quer e pode trabalhar de forma remota. Seja por uma semana, por um mês, por um ano ou, até, para a vida toda. Mais uma vez, este é um segmento exigente, que aspira a ter boas condições de trabalho, as quais são mais do que uma mera ligação funcional de internet.

Acresce que Portugal é um país que oferece uma sensação de grande segurança a quem nos visita. E como se viu com a pandemia e com a guerra, a segurança é um fator determinante para quem escolhe um destino.

A aposta nestes segmentos emergentes de turistas pode trazer grandes vantagens para os territórios menos beneficiados e mais afastados dos grandes centros – como são o Centro de Portugal, o Norte, o Alentejo ou os Açores. Mais do que um inconveniente, estar situado em zonas menos massificadas, com uma envolvência natural agradável, onde a gastronomia e as tradições são reconfortantes, é visto como uma vantagem para os turistas pós-pandemia e para os nómadas digitais.

É também uma aposta que tem a capacidade de gerar valor acrescentado para as populações. Nunca é de mais lembrar que a atividade turística deveria ter sempre presente essa necessidade. O turismo é uma atividade que gera impacto nos territórios, pelo que, por uma questão de imperiosa justiça, deve gerar mais-valias nas populações, assegurando que a sustentabilidade, na sua tripla vertente ambiental, económica e social, não é um conceito vazio, mas sim a pedra basilar sobre a qual se constrói todo o edifício do turismo.

Artigo publicado na edição de dezembro/2022

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Viajar 380 Dezembro 2022

 

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