Uma “nova” Região de Turismo de Lisboa

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Opinião de Vítor Costa, Presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT-RL)

14.714 milhões de euros foi a riqueza criada em 2018 pelo Turismo na Região de Lisboa, assegurando 201.346 postos de trabalho. Isto é, 20,3% do PIB e 15,4% do emprego.

Entre 2013 e 2018, a quota de mercado de Lisboa no contexto nacional subiu 4,6 pontos percentuais e, em termos europeus, Lisboa foi o destino urbano que mais cresceu, cerca do dobro da principal concorrência.

Neste período todos os indicadores subiram: mais visibilidade e reputação de Lisboa, mais oferta, mais diversificação da oferta, mais turistas, mais dormidas, melhores indicadores económicos da hotelaria, da restauração, do comércio, da animação e da cultura, mais gasto médio por turista e melhor grau de satisfação. Mais de 90% dos turistas visitaram-nos pela primeira vez e ficaram potenciais clientes.

Como chegámos até aqui?

Pouco importa procurar explicações em fatores ou políticas mais ou menos conjunturais, que certamente tiveram e têm a sua importância.

O que talvez Lisboa tenha de diferente para mostrar é o ter conseguido remar num só sentido e navegar com rumo.

A criação da ATL, há já 23 anos, e a sua experiência, tem-se revelado como um instrumento fundamental do desenvolvimento turístico em Lisboa, ao garantir a parceria entre entidades públicas, entre entidades privadas e entre entidades públicas e privadas, em torno de plataformas e projetos de interesse comum. A solução encontrada para articulação entre a ATL e a Entidade Regional de Turismo completou esta visão.

A recente apresentação do sexto Plano Estratégico consecutivo para o Turismo de Lisboa demonstra a consistência do caminho feito.

A elaboração de cada um destes Planos, desde o primeiro em 1998, constituiu sempre uma oportunidade renovada para refletir, questionar, inovar, consensualizar, encontrar plataformas, definir caminhos comuns e passar à ação.

Cada Plano correspondeu a um patamar superior de desenvolvimento, tendo os objetivos traçados sido sempre cumpridos e, muitas vezes, ultrapassados.

Que fazer, aqui chegados?

O Plano Estratégico 2020-24 é o culminar deste percurso e, de novo, coloca importantes desafios para o destino Lisboa.

Assegurar a sustentabilidade do Turismo, através da integração regional e em harmonia com os residentes, é o mote do novo ciclo do Turismo na Região de Lisboa, naquele que é um dos maiores desafios de todos os tempos.

Estes objetivos pressupõem questões como acessibilidades externas e internas, qualidade do território e regulação e controlo de atividades, que extravasam a responsabilidade direta das entidades do Turismo, mas nas quais estas estão profundamente interessadas e pretendem influenciar.

Já a gestão territorial, assim como a estratégia de produtos, os qualificadores, os segmentos e os mercados a privilegiar, terão outro tipo de abordagem. É aqui que reside, em boa parte, a possibilidade de se conseguir cumprir o desígnio da sustentabilidade, da integração e da harmonia com os residentes.

Ganhar escala?

Enquanto destino Turístico, a Região de Lisboa tem características singulares porque inclui a Capital do País, porque existe uma grande diferença de peso relativo entre os vários Municípios e porque não existia tradição de a considerar como uma Região de Turismo (como no Algarve, por exemplo), antes pelo contrário.

Apesar disto, há várias décadas que as entidades oficiais e os privados sentiram a necessidade de ter alguma forma de articulação para melhor promover os seus produtos ou destinos e, assim, foram estabelecendo mecanismos de cooperação.

Neste tema, os Planos Estratégicos foram evoluindo nas soluções, desde a definição da proposta de valor de Lisboa do Plano feito em 1998, baseada na “trilogia única: “história, escala humana e área envolvente da cidade de Lisboa”, até à adoção generalizada da Marca Lisboa no Plano cuja vigência terminou em 2019. Mas sempre na perspetiva de “uns e outros”, “da Cidade e da Região”.

Ora, o grande desafio do momento – a sustentabilidade, nas suas variadas componentes – exige que se passe a um nível diferente de integração, construindo uma verdadeira Região de Turismo num território com três milhões de habitantes. Assim ganharemos escala.

Este ganho de escala permite encarar as questões estruturais como a acessibilidade, a mobilidade e a qualidade do território de uma forma integrada.

A escala permite, também, desenvolver produtos transversais a toda a região, ou seja, o produto umbrela City/Short Breaks, o MI e os produtos complementares Golfe, Sol & Mar, Surf e Natureza, integrando neles todas as ofertas relevantes, independentemente da sua localização.

Permite, ainda, desenvolver de forma diferente os qualificadores essenciais para todos os produtos, isto é Gastronomia e Vinho, Cultura, Compras e Eventos. 

E é também a escala que permite abordar os mercados de forma inovadora, consolidando os mercados europeus quase como “mercado interno”, continuando a apostar nos mercados atlânticos – EUA, Canadá e Brasil – e chegando a novos mercados como Rússia, Médio Oriente e Ásia, sem menosprezar nenhuma outra oportunidade.

Na escolha dos produtos, qualificadores e mercados foi também relevante a seleção dos segmentos a privilegiar – individuais, famílias e pequenos grupos – que são os que mais se integram com os residentes. Coerentemente, a escolha dos mercados asiáticos a privilegiar (Coreia do Sul e Japão), teve em conta esta segmentação.

A escala é tudo?

É certo que o ganho de escala nos permite em parte responder à questão da sustentabilidade, mas não chega.

De facto, o ganho de escala tem que ser acompanhado pela consagração de outra realidade, que é a existência dentro da região de realidades distintas e de identidades diversas, que precisam de abordagens muito diferenciadas.

E, por isso, o Plano reconhece a existência de 12 polos turísticos distintos, para os quais propõe estratégias diferenciadas e adaptadas à respetiva realidade, no quadro global da Região.

Entre estes Polos há alguns, como o de Lisboa Centro ou o de Sintra, em que a pressão turística exige um tipo de respostas.

Noutros casos, como o da Arrábida e o de Mafra, o que se propõe é o aprofundamento do caminho já iniciado com vista ao seu desenvolvimento turístico.

E outros ainda, como os Polos ligados ao Tejo e a Costa da Caparica, exigem um trabalho de organização e desenvolvimento, tendo em conta o seu estágio ainda relativamente incipiente no que concerne ao Turismo.

É a combinação virtuosa destes dois planos – o ganho de escala e os Polos – que nos permitirá criar condições para continuar a crescer e para abordar os grandes e os pequenos desafios, para responder aos grandes e aos pequenos problemas, para aproveitar as grandes e as pequenas oportunidades.

O que se propõe é a visão de um destino turístico integrado, mas diverso, onde os produtos transversais e os qualificadores asseguram a coerência global, e os polos garantem a diversidade e a resposta personalizada a cada uma das realidades.

Com esta visão podemos aspirar a continuar a crescer.

Com esta visão vamos construir uma verdadeira Região Turística de Lisboa.

Com esta visão teremos um destino imbatível, no contexto europeu.

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