Alojamento Local em Lisboa teve um impacto na economia de 1.660 milhões...

Alojamento Local em Lisboa teve um impacto na economia de 1.660 milhões de euros em 2016

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Mais de 1.660 milhões de euros foi o impacto que o Alojamento Local (AL) teve na economia em 2016, segundo dados do estudo apresentado esta terça-feira, 19 de setembro, pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), o ISCTE e a Sítios sobre este sector na Área Metropolitana de Lisboa. Um estudo que será alargado a outros pontos do país, e que traça também um cenário para 2020, ano em que o AL deverá ultrapassar os 3.735 milhões de euros.

Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP começou a apresentação realçando o facto de este ser um tema muito debatido, mas que segundo a mesma “poucos conhecem na realidade”. Exemplo disso são as sucessivas referências durante a atual campanha autárquica que tem trazido a público o “excesso de alojamento local”.

“É muito fácil falarmos das experiências que temos ao lado, mas na verdade pouco conhecemos o Alojamento Local, qual é o perfil do empresário, da procura do turista, da tipologia do próprio estabelecimento”, sublinha a mesma responsável, relembrando que “foi isso que procurámos saber a fundo, num estudo também feito pelo ISCTE e que apresentámos em março último, com dados muito interessantes, como por exemplo o facto de 60% dos prédios desocupados terem sido recuperados para o AL”.

O estudo do “Impacto económico no Alojamento Local”, agora apresentado, e que faz parte do maior inquérito alguma vez efetuado do AL na Área Metropolitana de Lisboa irá estender-se também às regiões do Norte, Centro e Alentejo. Segundo a secretária-geral da AHRESP, no próximo mês de outubro deverão ser conhecidas as suas conclusões. Mas o estudo deverá chegar também ao Algarve e às ilhas, Açores e Madeira.

Para já e na Área Metropolitana de Lisboa, o estudo conclui que em 2016, o impacto económico total do AL na economia está estimado em 1.664,7 milhões de euros, que resulta de um impacto direto de 285,9 milhões (gastos diretos realizados pelos turistas nas unidades de AL), um impacto indireto de 549,6 milhões (gastos realizados pelos turistas em AL como alimentação, atrações, deslocações e outras compras) e um impacto induzido de 829,2 milhões (referente ao valor de vendas geradas na economia pelas compras do AL para a sua atividade e pelas compras do agregado dos colaboradores).

O somatório dos seus benefícios diretos e indiretos, o peso do AL no Turismo da Área Metropolitana de Lisboa em 2016 foi de 18,3%, representando 1% do PIB gerado nesta região. É possível ainda verificar, isto muito pelo facto da legislação em relação ao AL ter sido alterada, que só em 2016, o número de unidades de AL em funcionamento foi de 4.346, ou seja, mais 94,8% que os números registados até 2015, de que resultou um incremento de 75% na capacidade de alojamento face a 2015. Aqui são claramente os apartamentos que surgem em maior número (3.686 contra os 232 estabelecimentos de hospedagem, os 49 estabelecimentos de hospedagem-hostel e as 379 moradias).

Já no que diz respeito ao emprego, o AL foi responsável pela criação de 5.706 postos de trabalho diretos e 13.439 indiretos, tendo pago 51,4 milhões de euros em salários e outras retribuições.

“Estes números vêm reforçar a posição mantida pela AHRESP desde sempre, que é a de que o AL, pelo seu efeito multiplicador é hoje uma atividade essencial ao desenvolvimento das regiões, do Turismo e da Economia”, reforça Ana Jacinto, acrescentando: “Poucas atividades turísticas conheceram em tão pouco tempo, um crescimento com esta dimensão e com este alto valor social e económico”.

Cenário até 2020

Para responderem à questão “o que pode vir a representar o alojamento local na área metropolitana de Lisboa em 2020?”, os responsáveis pelo estudo ouviram os principais stakeholders do setor, fizeram uma estimativa quantitativa da evolução, simularam pelo método de Monte e realizaram workshops de validação e exploração para traçar vários cenários (pessimista, base e otimista). Optando por um cenário base, a análise dos dados aponta para um impacto económico no valor de 3.735,4 milhões de euros. Este é um número que resulta da soma de benefícios económicos diretos de 624,3 milhões, benefícios económicos indiretos de 1.300,5 milhões e benefícios económicos induzidos de 1.810,5 milhões.

Neste cenário, o contributo do AL para o PIB deverá atingir os 1.461,1 milhões de euros, sendo responsável pela criação e manutenção de 42.008 empregos, 12.665 de forma direta.

Segundo Nuno Teixeira, professor do ISCTE responsável por esta segunda parte do estudo, “os peritos que auscultámos foram bastante moderados nas suas previsões, muito por causa da capacidade do Aeroporto de Lisboa que em breve esgotará. Lisboa está na moda, mas os proprietários deverão ser moderados no aumento de preços que não deverão ultrapassar os 6%”.

Questionado sobre o impacto na economia do AL em 2020 num cenário pessimista, Nuno Teixeira, respondeu que ainda seria de 2.705,8 milhões de euros, mas ao que tudo indica as previsões serão para um cenário otimista.

(Ler texto na íntegra na versão em papel)

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