Pedro Machado: “Temos consciência que o nosso core não é o turismo...

Pedro Machado: “Temos consciência que o nosso core não é o turismo de massas”

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Uma das vozes mais ativas do setor do Turismo em Portugal, Pedro Machado deixou em maio a presidência da Associação Nacional de Turismo, lugar que ocupava em conjunto com a presidência da ERT Centro de Portugal e da Agência Regional Promoção Turística do Centro de Portugal. A Viajar esteve à conversa com o especialista.

Viajar – A Turismo do Centro tem vindo a marcar a sua posição com uma grande importância no turismo interno. Quanto representa o turismo nacional para esta região?

Pedro Machado – A região Centro de Portugal, sendo a maior e mais diversa região turística do País, depende em 70% do mercado interno. Existe, a este nível, um grande potencial de crescimento, pelo que pretendemos posicionar-nos como uma alternativa viável, aos destinos nacionais mais maduros, tais como, Algarve e a Madeira, pela estruturação de um conjunto de produtos turísticos atrativos e diversos, de elevada qualidade e excelência, posicionando-nos como “um país dentro do País”. Nesta região, o turista poderá ter acesso, numa única visita, a um conjunto de experiências totalmente diversificado, estendendo a sua visita e sendo positivamente surpreendido com a variedade da oferta existente. Ambicionamos manter esta curva de crescimento que se vem a consolidar desde 2013 e nos permitiu em 2015 atingir os melhores resultados de sempre.                                                               

– Que ações têm realizados para que isso venha a acontecer?

Sendo a nossa principal missão a promoção interna e interna alargada, é importante posicionar-nos ao lado dos agentes públicos e privados existentes nesta região, no trabalho conjunto de estruturação turística, do seu enorme potencial natural e edificado. Mas temos consciência que o nosso core não é o turismo de massas. Pretendemos conquistar e fidelizar turistas, atendendo a que “small is beautiful”, pelo detalhe, pela diferença. Somos um destino de nichos e de particularidades. E é aqui que pretendemos posicionar-nos.

Paralelamente, e atendendo a que, nos últimos anos, as discussões no sector se têm centrado exclusivamente na procura externa, o debate sobre o turismo interno praticamente inexistente, o conhecimento sobre a matéria demasiado reduzido e a atividade em geral era francamente limitada, a Turismo Centro de Portugal assume hoje, com a realização pelo terceiro ano consecutivo do Fórum Turismo Interno, “Vê Portugal”, a liderança da análise e do debate sobre este tema.

Consideramos que matérias fundamentais como a qualificação da oferta, a engenharia de produto, a captação de investimento, a promoção e a comercialização, entre outras, devem ser debatidas pelos players ligados ao desenvolvimento e promoção do turismo (figuras nacionais e internacionais), mas também pelas entidades com responsabilidade no seu financiamento e organização, promovendo o debate e a necessária articulação entre Governo e instituições públicas e privadas.

– E em relação a mercados estrangeiros, quais são os que mais procuram a região Centro de Portugal?

Atendendo a valores de 2015 (Janeiro a Agosto), e segundo dados do INE, o mercado espanhol é o principal mercado internacional com 11,9% das dormidas totais, seguido de mercado francês (5,98 %), do mercado brasileiro (2,66 %) e do mercado alemão (2,73 %).

– Fátima será o destino mais procurado na região, logo seguido da Serra da Estrela. Como estão a desenvolver a vossa estratégia de promoção para captar mais pessoas para outras zonas e cidades?

Atendendo à realidade de que as marcas “Fátima” e “Serra da Estrela” são das mais fortes da região Centro, e contribuem significativamente para o reforço e notoriedade da marca Centro de Portugal, é estratégico que assumamos esta realidade, procurando, por um lado, reforçar a sua promoção nacional e internacionalmente, mas, por outro lado, alavancar um conjunto de outras realidades existentes. Assumindo que, na região Centro, “1 dia é bom, 2 é ótimo, 3 nunca é demais”, é importante “vender” a ideia de que, com o pretexto de ir à Serra da Estrela, em família, ver a neve ou saborear a sua distintiva gastronomia, poderá sempre, sem sair das fronteiras desta região, aproveitar para visitar a Sé de Viseu, passear de moliceiro em Aveiro, ir ao Portugal dos Pequenitos em Coimbra, e terminar a visita em Fátima, onde existe o maior altar mariano de Portugal. Esta é apenas uma das muitas soluções disponíveis para justificar uma visita e uma estadia mais prolongada à Região Centro de Portugal. As nossas campanhas promocionais (em meios de comunicação escrita, rádio, etc.) têm assentado exatamente neste pressuposto, fazendo ressaltar a enorme diversidade de alternativas que coabitam nesta região.

Leia o artigo completo na Edição de junho (nº 350) da revista VIAJAR – Disponível online

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