“Precisamos de mais turistas em todo o País”

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Entrevista com Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal

Oriundo de uma família com história na hotelaria há mais de quatro décadas, Raul Martins, que já integrava os órgãos sociais da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) há vários anos, designadamente como presidente da assembleia geral, decidiu, este ano, assumir a presidência da associação. A Viajar Magazine esteve à conversa com o hoteleiro e dirigente associativo, no Aeroporto Humberto Delgado, para uma conversa transversal sobre a hotelaria em Portugal, mas não só…

  

O Turismo em Portugal está a passar por uma das suas melhores fases de sempre. Como vê esta realidade?

Portugal, nos últimos anos, equipou-se de infraestruturas e hotéis de grande qualidade. Após 2007, que foi o melhor ano turístico vivido em Portugal, houve um grande despertar para este setor, assim como avultados investimentos na área hoteleira, que depois vieram a ser prejudicados pela crise de 2009 a 2013.

Temos que reconhecer que a procura despertou ainda mais por haver alguns destinos próximos de Portugal, que deixaram de ter segurança. Com isso, passámos a ser mais observados e analisados, e a procura turística entendeu que Portugal era de facto um bom destino para descobrir.

A nossa promoção turística foi insuficiente para que isso acontecesse e foram necessários estes acontecimentos geopolíticos para o turismo despertar em força. Mas, não nos podemos esquecer o país diferenciado que temos, que dispõe de oferta para todos os gostos, que agrada aos turistas.

Apesar de todos os índices estarem a crescer, como é o caso da taxa de ocupação, RevPar e preço médio por quarto, os funcionários da hotelaria têm vindo a reivindicar melhores condições salariais. Acha que estas reivindicações têm fundamento?

De modo algum. Será difícil encontrar algum hotel que pague o salário mínimo, até porque a preocupação dos hoteleiros tem sido a de encontrar profissionais qualificados, oriundos, na sua maioria, das Escolas de Hotelaria e Turismo, que já começam a não ter a capacidade suficiente para as necessidades. Desta forma, quem é menos qualificado não pode ter o mesmo ordenado de quem tem formação adequada para o exercício da profissão. É preciso entender que a hotelaria é um investimento de longo prazo. Passámos cinco anos muito complicados, em que grande parte dos hotéis, entre 2009 e 2013, tiveram explorações negativas, tendo sido obrigados a ir buscar dinheiro aos cofres para poderem pagar os ordenados. Só em 2014 conseguimos equiparar as receitas aos níveis de 2007 e só em 2016 atingimos o preço médio de 2007. Isto diz tudo!

Se o turismo continuar a progredir nestes moldes positivos, considera que a retoma das empresas vai conseguir ser mais rápida?

De uma forma geral, com cinco anos maus e três anos bons a situação dos vencimentos vai ser sustentada. A oferta de profissionais no mercado ao começar a ser escassa também irá fazer com que o preço do profissional qualificado aumente. Um hotel novo já começa a sentir necessidade de ir buscar colaboradores a outros hotéis e esta lei da oferta e procura, existente atualmente entre os profissionais da hotelaria, está a fazer subir o valor dos salários, que tenderá a aumentar ainda mais nos próximos anos.

Leia a entrevista completa da edição de novembro (nº 355) da revista VIAJAR

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