Congresso Hotelaria: Semana laboral de quatro dias “é a segunda maior vergonha nacional”, defende Grupo Pestana

por Sílvia Guimarães

“Um tiro nos pés” é como José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, define o projeto piloto do governo de passar a semana laboral de cinco para quatro dias, mantendo o horário de trabalho semanal. O responsável vai ainda mais longe ao afirmar que esta é “a segunda maior vergonha nacional a seguir a não se fazer o aeroporto”.

Tendo participado como orador no primeiro painel do 33º Congresso Nacional de Hotelaria, a decorrer em Fátima, o dirigente do maior grupo hoteleiro nacional começou por afirmar que “para algumas unidades a semana de quatro dias até poderia vir a ser positiva”, isto se fosse mantida a carga horária semanal de 40 horas, mas considerando que o objetivo será passar para 32 horas semanais, defende que “é um desastre, um tiro nos pés”.

José Theotónio relembrou que o Turismo é uma “indústria que trabalha 365 dias por ano, 24 horas por dia” e enfrenta uma grande escassez de mão de obra e, consequentemente, “uma redução da qualidade de serviço”, não podendo, por isso, aceitar este “desastre”.

Grupo Pestana e a pandemia

Questionado sobre o o impacto da pandemia no grupo, o dirigente hoteleiro foi perentório em afirmar que “não foi fácil”, porque “vínhamos de 2019, que tinha sido o melhor ano de sempre. Vivíamos uma euforia, e de repente surgiu a pandemia. No dia 20 de fevereiro de 2020, tínhamos aberto o 100º hotel, em Nova Iorque, nos EUA, um marco importante para o grupo” e passado pouco mais de um mês viram-se obrigados a ter todos os hotéis do grupo fechados. Apesar de tudo, garante que os colaboradores Pestana, com vencimentos a baixo dos 3500€ “não perderam nunca o rendimento”, muito devido a apoios como o lay-off simplificado e a retoma progressiva.

A Guerra e o Turismo

Embora 2022 tenha sido um ano surpreendentemente positivo para o Turismo, o CEO defende que, “se olharmos em termos globais, o turismo ainda não recuperou e ainda em parte por causa da guerra”. Como exemplos deu o mercado alemão que registou uma “redução” da procura e o escandinavo que ainda “está completamente parado”.

José Theotónio diz que os números positivos registados nos mercados português de espanhol deve-se ao facto de “serem os países que estão mais longe do teatro onde as coisas estão piores”, mas “não se pode dizer que a guerra nos tenha ajudado em termos turísticos”, sobretudo por “criar um clima de incerteza” quanto ao futuro do Turismo na europa.

A guerra poderá mesmo “prejudicar” o turismo em Portugal, devido a gerar um “aumento dos preços” e relembra que “o custo da energia, que é o segundo maior custo na hotelaria a seguir à força de trabalho, que está também a explodir, só não é maior porque têm havido apoios do Governo”.

A Viajar Magazine no 33º Congresso da Hotelaria, a convite da AHP

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